Taxa homóloga continua trajectória de desaceleração e atinge mínimo histórico da actual série estatística
INE destaca redução dos preços em quase todas as províncias, embora seis ainda registem inflação de dois dígitos
A inflação homóloga em Angola desceu para 9,33% em Julho, tornando-se a primeira leitura abaixo dos dois dígitos desde o início da actual série do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), em 2015. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e confirmam a continuação da trajectória de desaceleração dos preços observada ao longo dos últimos meses.
Segundo o INE, a taxa registada em Julho representa uma redução de 0,78 pontos percentuais face a Junho e uma descida de 10,15 pontos percentuais em comparação com o mesmo mês de 2025. Trata-se da primeira vez, desde a criação da actual metodologia estatística, que a inflação homóloga se situa abaixo dos 10%.
Apesar da melhoria generalizada, seis províncias continuam a apresentar inflação de dois dígitos. Cabinda registou a taxa mais elevada do país, com 13,09%, seguida de Malanje, com 12,01%, e da Lunda Sul, com 11,40%. No extremo oposto, o Cuanza Norte apresentou a inflação mais baixa, de 6,00%, seguido pelo Huambo, com 6,59%, e pelo Cunene, com 6,86%.
A desaceleração da inflação ocorre num contexto de maior estabilidade cambial, melhoria da oferta de bens e continuação das medidas de política monetária adoptadas pelo Banco Nacional de Angola (BNA). Em Julho, o banco central reviu a previsão de inflação para o final de 2026 para 8,6%, enquanto várias instituições financeiras passaram igualmente a antecipar uma continuação da tendência de descida dos preços.
Economistas consideram que a redução da inflação poderá criar espaço para novos ajustamentos da política monetária, caso a tendência se mantenha. No entanto, alertam que factores externos, como a evolução dos preços internacionais dos alimentos, combustíveis e matérias-primas, continuam a representar riscos para a estabilidade dos preços nos próximos meses.
A descida da inflação para um nível inferior a 10% representa um marco para a economia angolana e reforça os sinais de estabilização dos preços, embora persistam diferenças significativas entre as províncias e desafios associados à evolução do contexto económico internacional.





