Grupo da Casa dos Frescos identifica agricultura, bebidas e detergentes como exportáveis e diz haver capacidade industrial sem escoamento 

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Existem em Angola indústrias a operar abaixo da capacidade por não terem onde escoar a produção, afirmou o responsável máximo da Casa dos Frescos, Rui Catalo. O Kwanza tornou-se a 27 de Julho a segunda moeda de liquidação admitida no sistema de pagamentos transfronteiriços da SADC, treze anos após a criação da plataforma.

Em entrevista à Revista Outside, Rui Catalo sustentou que a abertura comercial continental pode corrigir esse desequilíbrio, por considerar o país competitivo ao nível dos custos de produção. Identificou a agricultura como o principal factor, a par da indústria de bebidas, da produção de bolachas e do fabrico de detergentes, e defendeu que Angola tem condições para deixar de ser um país importador e passar a exportador. Descreveu o comércio regional como uma lógica de troca, argumentando que nenhum país precisa de produzir tudo e que a especialização permite obter em permuta aquilo que não se produz internamente. Sublinhou tratar-se de uma opinião pessoal.

As declarações antecedem em poucos dias um passo concreto na infra-estrutura financeira que suporta esse comércio. A 27 de Julho, em Pretória, os governadores do Banco Nacional de Angola, Manuel Tiago Dias, e do Banco de Reserva da África do Sul, Lesetja Kganyago, que preside ao Comité de Governadores dos Bancos Centrais da SADC, formalizaram a admissão do kwanza como moeda de liquidação no Sistema de Liquidação a Bruto em Tempo Real da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Criado em 2013, o SADC-RTGS operava até então exclusivamente em rand sul-africano, sendo o kwanza a segunda moeda admitida numa plataforma em que participam 15 países.

A medida tinha sido anunciada pelo banco central a 1 de Junho, com previsão de concretização durante o segundo semestre de 2026, no quadro dos trabalhos de integração regional dos sistemas de pagamento da SADC e em alinhamento com as recomendações do G20 sobre pagamentos transfronteiriços. O Banco de Reserva da África do Sul, que opera a plataforma, enquadra a extensão multimoeda como forma de incentivar o recurso a moedas locais e regionais no comércio transfronteiriço.

Rui Catalo referiu ainda a transferência de conhecimento como benefício paralelo da integração, descrevendo deslocações recentes de equipas do grupo à África do Sul e ao Zimbabué através da rede SPAR, e caracterizando o mercado sul-africano como já maduro. Segundo o entrevistado, práticas observadas nessas missões foram posteriormente implementadas nas operações angolanas.

O grupo é simultaneamente importador, retalhista e produtor industrial, pelo que as suas posições sobre abertura comercial devem ser lidas à luz dessa exposição.

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