Comandante norte-americano alerta que publicações nas redes sociais estão a fornecer informações valiosas ao inimigo
Medida poderá afectar tropas destacadas no Médio Oriente, sobretudo na Jordânia, onde os riscos são considerados mais elevados
Os Estados Unidos estão a estudar a possibilidade de obrigar alguns militares destacados no Médio Oriente a entregar os seus telemóveis, depois de o comandante do Comando Central norte-americano (CENTCOM), almirante Brad Cooper, ter alertado que vídeos publicados nas redes sociais estão a ajudar o Irão a identificar e avaliar ataques contra bases militares norte-americanas.
Numa comunicação interna obtida pela Reuters, Cooper advertiu que imagens gravadas pelos próprios militares e divulgadas online podem fornecer informações importantes através de fontes abertas (open-source intelligence), permitindo ao Irão avaliar a eficácia dos seus ataques e ajustar futuras operações militares.
Entre os exemplos citados encontra-se um vídeo captado com óculos inteligentes durante um ataque iraniano que atingiu uma base norte-americana na Jordânia. Segundo o comandante, este tipo de conteúdo pode revelar a localização exacta das instalações, danos provocados pelos ataques e procedimentos operacionais das forças norte-americanas.
Embora ainda não exista uma ordem oficial, fontes ouvidas pela Reuters indicam que militares destacados em zonas consideradas mais sensíveis poderão ser obrigados a entregar temporariamente os seus telemóveis durante determinadas missões, reduzindo o risco de fugas de informação.
A preocupação surge num contexto de forte escalada militar entre os Estados Unidos e o Irão. Desde o início do actual conflito, 18 militares norte-americanos morreram e mais de 600 ficaram feridos, aumentando a pressão para reforçar as medidas de segurança operacional nas bases da região.
O Departamento de Defesa norte-americano já tinha alertado anteriormente para os riscos associados ao uso de dispositivos móveis e aplicações com geolocalização por militares em serviço. No entanto, o crescimento das redes sociais e dos dispositivos de gravação portáteis tornou o problema mais difícil de controlar.
Especialistas em segurança consideram que fotografias e vídeos aparentemente inofensivos podem revelar detalhes suficientes para permitir a identificação de instalações militares, equipamentos utilizados e até padrões de movimentação das tropas, informações que podem ser exploradas por adversários em tempo real.
Para o comando militar norte-americano, a ameaça já não vem apenas de mísseis ou drones: um simples vídeo publicado nas redes sociais pode fornecer ao inimigo informações suficientes para tornar o próximo ataque mais preciso e mais perigoso.





