Bombardeamento atingiu edifícios residenciais e um hotel no centro da capital ucraniana
Ucrânia pede mais sistemas de defesa aérea perante intensificação dos ataques russos
A Rússia lançou um dos maiores ataques aéreos contra Kiev desde o início da guerra, utilizando centenas de drones e dezenas de mísseis contra a capital ucraniana e outras regiões do país, provocando pelo menos 21 mortos e mais de 90 feridos.
Segundo as autoridades ucranianas, o bombardeamento ocorreu durante a madrugada e atingiu edifícios residenciais, infra-estruturas civis e um hotel situado num dos bairros centrais de Kiev. Incêndios deflagraram em vários pontos da cidade, obrigando milhares de pessoas a procurar abrigo em estações de metro e abrigos subterrâneos.
A força aérea ucraniana indicou que a Rússia lançou 74 mísseis e 496 drones durante o ataque, um dos mais intensos desde o início da invasão em Fevereiro de 2022. Embora uma parte significativa dos projécteis tenha sido interceptada, vários conseguiram atingir os seus alvos, causando destruição em mais de uma centena de edifícios na capital.
Entre os edifícios atingidos encontra-se um bloco residencial de nove andares, parcialmente destruído, deixando várias pessoas presas nos escombros. Equipas de emergência trabalharam durante horas para resgatar sobreviventes e extinguir os incêndios provocados pelos impactos.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, interrompeu uma visita ao estrangeiro para regressar a Kiev e visitou uma das áreas afectadas. O chefe de Estado voltou a criticar os atrasos na entrega de sistemas de defesa aérea prometidos pelos aliados ocidentais, afirmando que mais vidas poderiam ter sido salvas se os equipamentos tivessem sido entregues atempadamente.
Por seu lado, o Ministério da Defesa russo afirmou que os ataques tiveram como alvo instalações militares e energéticas, apresentando a operação como uma resposta aos recentes ataques ucranianos contra infra-estruturas petrolíferas e logísticas em território russo. Kiev rejeita esta justificação e insiste que os seus ataques em território russo têm como objectivo enfraquecer a capacidade militar de Moscovo.
A intensificação dos bombardeamentos ocorre numa altura em que os esforços diplomáticos para alcançar um cessar-fogo permanecem bloqueados. Países da União Europeia e da NATO condenaram o ataque e renovaram o apoio político e militar à Ucrânia, enquanto vários líderes europeus defenderam novas sanções contra a Rússia.
Analistas militares consideram que Moscovo está a aumentar a pressão sobre as cidades ucranianas numa estratégia de desgaste, procurando testar as capacidades de defesa aérea de Kiev e enfraquecer a moral da população. Ao mesmo tempo, a Ucrânia intensificou os seus ataques com drones contra instalações estratégicas russas, contribuindo para uma nova escalada do conflito que já entrou no seu quinto ano.




