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Roadshow da OPV realiza-se no Hotel InterContinental, em Miramar, com presença de representantes do IGAPE, CMC, BODIVA e intermediários financeiros. Sessão de lançamento acontece pouco mais de uma semana depois de a CMC ter travado a circulação de uma versão não autorizada do prospecto da operação
A Unitel realiza, a 6 de Julho, no Hotel InterContinental, em Miramar, a sessão de lançamento do roadshow da sua Oferta Pública de Venda (OPV), marcando o arranque formal do processo que permitirá, pela primeira vez, aos cidadãos angolanos tornarem-se accionistas da maior operadora de telecomunicações do país.
Segundo o convite à imprensa divulgado pela assessoria Bee Executive, a sessão, agendada para as 8h00, servirá para apresentar os principais detalhes da operação, os mecanismos de participação e os benefícios associados à aquisição de acções da Unitel. O evento contará com representantes do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), da própria Unitel, da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), da BODIVA e dos agentes de intermediação financeira envolvidos na operação: BFA Capital Markets (BFACM), Áurea e Banco Caixa Geral Angola (BCGA).
A operação, que prevê a venda de 15% do capital social da Unitel detido pelo Estado, insere-se no Programa de Privatizações (PROPRIV 2023-2026), formalizado por despacho presidencial de 23 de Agosto de 2024. Do total a privatizar, 2% estão reservados a trabalhadores e membros dos órgãos sociais da empresa. Com mais de 21 milhões de clientes e presença em todo o território nacional, a Unitel é, segundo a organização, uma das marcas mais reconhecidas do país, e a operação surge 25 anos depois de a operadora ter iniciado actividade em Angola.
O roadshow acontece numa fase que a própria CMC classificou como sensível. A 23 de Junho, o regulador alertou para a circulação, nas redes sociais e em meios financeiros, de uma versão não aprovada do prospecto da operação, considerando a divulgação uma “transgressão muito grave” nos termos do Código dos Valores Mobiliários e anunciando a abertura de diligências para apurar responsabilidades. A CMC esclareceu que, até àquela data, nenhuma versão do documento tinha sido validada, e alertou os investidores para não basearem decisões na versão em circulação.
O roadshow de 6 de Julho constitui, assim, o primeiro acto público oficial da operação desde esse incidente, cabendo à sessão esclarecer aos investidores e à imprensa os termos definitivos da oferta.
O que já se sabia sobre a operação
A Unitel concluiu em Junho a desmaterialização das suas acções na Central de Valores Mobiliários de Angola (CEVAMA), passo técnico que antecede a admissão à negociação em bolsa, e reforçou o capital social de 140 milhões para 250 mil milhões de kwanzas. Os lucros da operadora cresceram 59% em 2025, de 99,4 mil milhões para 158,4 mil milhões de kwanzas, impulsionados em parte pela alienação de 15% da sua participação no Banco de Fomento Angola (BFA) e pela distribuição de dividendos deste banco. A concretizar-se, a OPV da Unitel deverá tornar-se a segunda maior operação da história da BODIVA, depois da OPV do BFA, realizada em Setembro de 2025, que gerou cerca de 8.000 novos accionistas.





