Sistema utiliza inteligência artificial e sensores externos para interpretar actividade cerebral em tempo real
Investigação poderá abrir novas possibilidades de comunicação para pessoas com paralisia ou doenças neurológicas
A Meta apresentou uma nova tecnologia de interface cérebro-computador capaz de traduzir sinais cerebrais em texto sem recorrer a implantes cirúrgicos, um avanço que poderá transformar a comunicação de pessoas afectadas por lesões cerebrais, paralisia ou doenças neurodegenerativas.
O sistema, denominado Brain2Qwerty v2, utiliza sensores externos de magnetoencefalografia (MEG), uma técnica não invasiva que mede os campos magnéticos produzidos pela actividade cerebral. Os dados recolhidos são posteriormente processados por modelos de inteligência artificial capazes de reconstruir as palavras e frases que uma pessoa está a tentar escrever.
Segundo a Meta, a nova versão da tecnologia alcançou uma precisão média de 61% na identificação das palavras pretendidas pelos utilizadores, um avanço significativo face aos cerca de 8% obtidos por anteriores métodos não invasivos. O melhor resultado individual registou uma precisão de 78%.
A investigação foi realizada com a participação de nove voluntários e representa um dos mais importantes progressos recentes na área das interfaces cérebro-computador. Até agora, os níveis mais elevados de precisão eram alcançados sobretudo através de sistemas invasivos, como os implantes cerebrais desenvolvidos por empresas como a Neuralink, de Elon Musk, ou pela norte-americana Precision Neuroscience.
A Meta afirmou que o objectivo principal do projecto é desenvolver novas formas de comunicação para pessoas que perderam a capacidade de falar ou de escrever devido a acidentes vasculares cerebrais, lesões cerebrais ou doenças como a esclerose lateral amiotrófica. A possibilidade de converter pensamentos em texto sem necessidade de cirurgia poderá reduzir significativamente os riscos associados às actuais tecnologias de interface neural.
Apesar dos progressos, a empresa reconhece que a tecnologia ainda está longe de uma utilização comercial. Os equipamentos de magnetoencefalografia são actualmente volumosos, dispendiosos e exigem condições laboratoriais especializadas, limitando a sua aplicação prática no dia-a-dia.
Especialistas em neurociência consideram, contudo, que a investigação representa um passo importante para o futuro das interfaces cérebro-computador. A combinação entre inteligência artificial e sensores não invasivos poderá abrir caminho a dispositivos mais acessíveis, capazes de permitir a comunicação directa entre o cérebro humano e sistemas digitais sem necessidade de procedimentos cirúrgicos complexos.
A apresentação do Brain2Qwerty v2 demonstra também o crescente interesse das grandes empresas tecnológicas pela área das neurotecnologias. À medida que a inteligência artificial se torna mais sofisticada, a capacidade de interpretar e traduzir sinais cerebrais poderá tornar-se uma das próximas grandes fronteiras da computação e da interacção entre humanos e máquinas.




