Novo sismo abala Caracas enquanto operações de resgate entram em horas críticas na Venezuela

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Réplica de magnitude 4,6 aumentou receios entre sobreviventes e complicou trabalhos de busca
Número de mortos aproxima-se de 1.500 enquanto milhares de pessoas continuam desaparecidas ou desalojadas

Uma réplica de magnitude 4,6 atingiu a região de Caracas na madrugada de segunda-feira, aumentando a tensão na Venezuela, onde as equipas de emergência entraram numa fase crítica das operações de resgate após os devastadores sismos que atingiram o país na semana passada.

O abalo teve epicentro a norte da capital venezuelana, a uma profundidade de cerca de 10 quilómetros, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. As autoridades não reportaram danos adicionais imediatos, mas a nova réplica voltou a alarmar uma população já traumatizada pelos dois fortes sismos registados a 24 de Junho.

As operações de busca e salvamento entraram no quinto dia consecutivo, concentrando-se sobretudo no estado de La Guaira, a região mais afectada pela catástrofe. Os dois sismos provocaram a morte de quase 1.500 pessoas, causaram mais de 3.100 feridos e levaram ao colapso de pelo menos 774 edifícios, segundo dados das autoridades venezuelanas. Mais de 12.700 pessoas encontram-se deslocadas.

Apesar da mobilização nacional e internacional, algumas comunidades continuam sem receber ajuda governamental significativa. Em localidades como El Junquito, nos arredores de Caracas, residentes afirmam que têm dependido sobretudo da solidariedade de vizinhos e voluntários para obter alimentos, água e abrigo temporário.

As réplicas constantes têm dificultado as operações de salvamento e aumentado o risco de novos desabamentos. Ainda assim, as equipas de resgate continuam a encontrar sobreviventes sob os escombros, alimentando a esperança de familiares e socorristas. Um dos casos mais emblemáticos foi o resgate de Aaron Levi, de 21 anos, retirado com vida após permanecer 106 horas preso sob os destroços de um edifício em La Guaira, numa operação que envolveu equipas da Venezuela, México e El Salvador.

A comunidade internacional intensificou o apoio ao país sul-americano. Segundo as autoridades venezuelanas, 24 países enviaram mais de 500 toneladas de ajuda humanitária, cerca de 2.700 elementos de apoio e 86 equipas cinotécnicas para participar nas operações de busca e assistência às vítimas.

Os Estados Unidos confirmaram a morte de três cidadãos norte-americanos e indicaram que pelo menos 12 continuam desaparecidos. O Departamento de Estado norte-americano recebeu mais de 300 pedidos de assistência relacionados com a tragédia.

Especialistas em gestão de catástrofes alertam que as próximas horas serão decisivas para encontrar mais sobreviventes. Embora a probabilidade de resgates diminua significativamente após as primeiras 72 horas, vários salvamentos ocorridos nos últimos dias demonstram que ainda existe uma possibilidade de encontrar pessoas com vida entre os escombros.

A tragédia é já considerada uma das piores catástrofes naturais da história recente da Venezuela e coloca um enorme desafio a um país que atravessa há anos uma profunda crise económica e política, complicando os esforços de recuperação e reconstrução das áreas afectadas.

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