Plano de dez anos prevê novas fábricas de semicondutores, centros de dados e projectos de robótica
Governo pretende consolidar liderança tecnológica do país e reduzir dependência da região de Seul
A Coreia do Sul anunciou um plano de investimento superior a 800 mil milhões de euros em semicondutores e inteligência artificial, numa das maiores iniciativas industriais da sua história, destinada a reforçar a posição do país na corrida tecnológica global.
O programa, apresentado pelo Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, prevê a construção de novas fábricas de semicondutores, centros de dados dedicados à inteligência artificial e um conjunto de infra-estruturas de apoio à indústria tecnológica. O objectivo é garantir que a Coreia do Sul mantenha a sua liderança em sectores considerados estratégicos para a próxima década.
Uma das principais componentes do plano consiste num investimento de cerca de 800 biliões de wons, equivalente a aproximadamente 518 mil milhões de dólares, por parte das empresas Samsung Electronics e SK hynix para a construção de quatro novas fábricas de semicondutores na região sudoeste do país. O programa inclui ainda um novo centro de encapsulamento de chips na região de Chungcheong e investimentos adicionais em infra-estruturas de apoio.
Paralelamente, o Governo anunciou um segundo projecto de grande dimensão para a construção de centros de dados de inteligência artificial, com o objectivo de atingir uma capacidade total de 10 gigawatts até 2035. O investimento nesta área poderá ultrapassar os 550 biliões de wons, numa tentativa de assegurar a capacidade computacional necessária para o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial de próxima geração.
O plano integra ainda um pólo de robótica em Saemangeum e outras iniciativas destinadas a promover o desenvolvimento económico fora da área metropolitana de Seul. O Governo sul-coreano pretende utilizar o investimento tecnológico para reduzir os desequilíbrios regionais e estimular o crescimento em zonas menos industrializadas do país.
A iniciativa surge num momento de crescente competição internacional pelo domínio da indústria dos semicondutores e da inteligência artificial. Os chips avançados, em particular as memórias de elevada largura de banda utilizadas em sistemas de IA, tornaram-se activos estratégicos para as principais economias mundiais. A Coreia do Sul é actualmente um dos maiores produtores mundiais de semicondutores, graças à presença de empresas como a Samsung e a SK hynix.
Analistas consideram que o programa representa uma resposta à intensificação da concorrência de países como os Estados Unidos, a China e o Japão, que também têm vindo a anunciar investimentos de grande dimensão na produção de chips e no desenvolvimento de inteligência artificial. O Governo sul-coreano pretende duplicar a produção de determinadas categorias de memória até meados da próxima década e consolidar o país como um dos principais centros tecnológicos do mundo.
Apesar do entusiasmo em torno do anúncio, alguns investidores manifestaram preocupações quanto ao risco de excesso de capacidade de produção no sector dos semicondutores e aos elevados custos associados aos novos projectos. Ainda assim, o investimento demonstra a determinação de Seul em assegurar uma posição de liderança numa indústria cada vez mais central para a economia global e para o desenvolvimento da inteligência artificial.




