O instrumento, que serve o financiamento de curto prazo entre instituições, movimentou cerca de 36,2 mil milhões de kwanzas em quatro sessões. Taxas em kwanzas situaram-se entre 11,8% e 15,5%, com prazos predominantes de 7 a 30 dias
As operações de reporte representaram cerca de 45% do volume negociado na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) na semana de 15 a 18 de Junho, somando aproximadamente 36,2 mil milhões de kwanzas.
O peso do segmento variou de forma acentuada entre sessões. A 15 de Junho, o reporte movimentou 19,4 mil milhões de kwanzas, equivalente a cerca de 86,8% de tudo o que foi negociado nesse dia. Recuou depois para 6,8 mil milhões a 16 de Junho e 6,9 mil milhões a 17 de Junho, antes de descer para 3,1 mil milhões na sessão de 18 de Junho. Mesmo na última sessão, em que o volume global da bolsa caiu para o mínimo da semana, o reporte manteve-se como o principal segmento, com mais de metade do total negociado.
O reporte é uma operação de financiamento de curto prazo em que um detentor de títulos os vende com compromisso de os recomprar em data futura a um preço acordado, entregando os valores mobiliários como garantia. Funciona, na prática, como um empréstimo com colateral, e não como uma compra firme de dívida. O seu peso na semana indica que parte significativa da actividade da bolsa correspondeu a gestão de liquidez entre instituições, mais do que a formação de carteira de títulos do Tesouro.
As taxas de reporte contratadas em kwanzas situaram-se entre 11,80% e 15,50%, com prazos predominantes de 7 a 30 dias. O colateral foi composto sobretudo por Obrigações do Tesouro Não Reajustáveis (OT-NR), com cortes de avaliação sobre o valor de mercado entre 0% e 10%. A excepção em moeda externa ocorreu a 17 de Junho, com uma operação garantida por Obrigações do Tesouro em Moeda Externa contratada a 4,00% pelo prazo de 364 dias, condições distintas das praticadas nas operações em moeda nacional.
A leitura semanal sugere que a procura se concentrou em prazos curtos e em colateral denominado em kwanzas. As taxas mais elevadas, próximas dos 15%, associaram-se a operações de prazo mais longo dentro do segmento em moeda nacional, enquanto a operação em moeda externa, embora com prazo bem superior, foi contratada a uma taxa muito inferior, reflexo das diferentes condições de financiamento em divisa.

O que é uma operação de reporte
No reporte (ou repo), uma instituição que precisa de liquidez de curto prazo vende títulos a outra e compromete-se a recomprá-los numa data futura, a um preço previamente fixado que incorpora a taxa de juro da operação. Os títulos funcionam como garantia: se a parte que se financiou não recomprar, a contraparte fica com o colateral. O corte de avaliação (haircut) é uma margem de segurança aplicada sobre o valor de mercado desse colateral, para proteger o financiador de oscilações de preço. Por ser garantido e de curto prazo, o reporte costuma apresentar taxas e risco inferiores aos de um empréstimo sem colateral.




