Confrontos entre Israel e Hezbollah atrasam negociações sobre programa nuclear iraniano e sanções
Continuação da ofensiva no sul do Líbano coloca em risco entendimento alcançado entre Washington e Teerão
Os combates entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano estão a colocar em risco o acordo preliminar alcançado entre os Estados Unidos e o Irão para pôr termo ao conflito entre os dois países, comprometendo o avanço das negociações sobre o programa nuclear iraniano e o levantamento de sanções.
O memorando de entendimento anunciado por Washington e Teerão prevê um cessar-fogo em várias frentes, incluindo o Líbano, onde o Hezbollah, principal aliado regional do Irão, deixaria de ser alvo de ataques israelitas desde que suspendesse as operações contra Israel. No entanto, a continuação das hostilidades levou ao adiamento de uma nova ronda de negociações entre norte-americanos e iranianos, inicialmente prevista para a Suíça.
O conflito entre Israel e o Hezbollah remonta à década de 1980, quando o movimento xiita libanês foi criado com apoio iraniano. Ao longo das últimas décadas, as duas partes protagonizaram sucessivos confrontos, incluindo a guerra de 2006 e a escalada iniciada após o ataque do Hamas a Israel em Outubro de 2023.
Apesar de um cessar-fogo acordado em Novembro de 2024, Israel manteve posições militares no sul do Líbano e continuou a realizar ataques que justificou com alegadas violações do acordo por parte do Hezbollah. A actual vaga de violência intensificou-se depois dos ataques norte-americanos e israelitas contra o Irão, no final de Fevereiro, levando o Hezbollah a retomar o lançamento de foguetes contra o norte de Israel e desencadeando uma nova ofensiva israelita em território libanês. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 4.000 pessoas morreram desde o reinício dos combates em Março.
Para Teerão, o fim das operações militares no Líbano constitui uma condição essencial para a continuação das negociações com Washington. Fontes diplomáticas citadas pela CNN indicam que o Irão exige garantias de que Israel cessará os ataques ao Hezbollah antes de retomar plenamente o diálogo sobre o acordo de paz e o seu programa nuclear.
Do lado israelita, a posição mantém-se inalterada. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel continuará a actuar militarmente no sul do Líbano enquanto considerar necessário garantir a segurança das comunidades do norte do país. Vários membros do Governo israelita defendem igualmente que o país não deve abdicar da liberdade de actuar contra o Hezbollah, independentemente do entendimento entre Washington e Teerão.
O Hezbollah rejeita as acusações de violação do cessar-fogo e sustenta que Israel continua a desrespeitar os compromissos assumidos. Paralelamente, no Irão persistem dúvidas quanto à disposição dos Estados Unidos para cumprir integralmente o memorando de entendimento, alimentando a desconfiança em torno das negociações.
A evolução da situação no Líbano poderá determinar o futuro do acordo entre Washington e Teerão. Analistas consideram que o principal obstáculo à concretização de um entendimento duradouro continua a ser a incapacidade de estabilizar a frente libanesa, onde qualquer nova escalada poderá comprometer o processo diplomático e reavivar o conflito regional.




