França interessada em parcerias empresariais no Corredor do Lobito

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A França está interessada na promoção de parcerias empresariais no sector dos transportes marítimos e portuários a nível do Corredor do Lobito, afirmou o conselheiro da missão empresarial da embaixada em Angola, Bainoil Catuhes.

Em 2023, o Porto do Lobito, uma das infra-estruturas do Corredor do Lobito, passou a Porto Senhorio, após a assinatura do contrato de concessão do terminal de carga geral com a Africa Global Logistics (AGL), uma empresa francesa.

Um dos objectivos da concessão da exploração por 20 anos do terminal polivalente é o de dotar o Porto do Lobito de uma gestão profissional regida pelas práticas internacionais do sector, capazes de transformá-lo num dos melhores e mais eficientes portos da África Austral.

Falando no final de uma visita de uma missão empresarial francesa do sector da logística e dos transportes ao Porto do Lobito, Bainoil Catuhes afirma que há expectativa de aproveitar ao máximo o potencial do Corredor do Lobito.

Para isto, o conselheiro da missão empresarial da embaixada francesa em Angola anuncia a promoção de parcerias comerciais e empresariais, para atrair empresas francesas das áreas dos transportes marítimos e portuários e de logística para o Corredor do Lobito.

O desafio, disse, é que essas parcerias empresariais entre França-Angola contribuam para impulsionar investimentos no sector dos transportes marítimos e portuários no Corredor do Lobito, infra-estrutura esta fundamental para a economia dos dois países.

Por outro lado, o conselheiro da missão empresarial da embaixada gaulesa deu a conhecer sobre os preparativos para a realização no seu país, em Janeiro de 2025, da Cimeira de Negócios França-Angola.

Conforme ele, o evento vai juntar várias empresas angolanas do sector portuário, bem como a AGL, concessionária francesa responsável pela operação do terminal de carga geral do Porto do Lobito.

Por sua vez, o administrador executivo para a área de Recursos Humanos, Infra-estrutura e Logística do Porto do Lobito, Romão de Andrade, destacou a importância da visita da missão empresarial francesa.

Segundo o responsável, a pretensão é o fortalecimento das relações comerciais e empresariais com investidores franceses dos sectores marítimo, incluindo do agronegócio.

Importância estratégica

Alavanca para o desenvolvimento da África Austral, o Corredor do Lobito é o centro das atenções de países influentes, instituições financeiras internacionais e investidores dentro e fora do continente, como os Estados Unidos, a União Europeia, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e o Africa Finance Corporation (AFC).

Um exemplo disso é o investimento de mil milhões de dólares, aprovado pelos Estados Unidos da América, no quadro da Parceria para Infra-estruturas e Investimentos Globais em (PIG) do presidente Joe Biden, que, por sinal, visita Angola de 2 a 4 de Dezembro.

O projecto de investimento no Corredor do Lobito, nos termos da Parceria para Infra-estruturas e Investimentos Globais (PGI), foi aprovado na última cimeira do G7 realizada em Maio de 2023 na cidade japonesa de Hiroxima.

Numa primeira fase deste projecto, os EUA estão a apoiar o desenvolvimento do Corredor do Lobito com um investimento inicial numa expansão ferroviária, que poderá tornar-se a principal infra-estrutura de transporte ferroviária que liga a República Democrática do Congo (RDC) e a Zâmbia aos mercados globais através de Angola.

O projecto da extensão da linha ferroviária do Corredor do Lobito foi seleccionado entre os 40 projectos de investimentos europeus e norte-americanos, no valor global de cerca de mil milhões de dólares, em infra-estruturas de transportes.

Concessão

Em 4 de Julho de 2023, o Executivo angolano assinou o contrato de transferência da concessão dos serviços ferroviários e da logística de suporte do Corredor do Lobito ao consórcio LAR (Lobito Atlantic Railway), formado pela Trafigura (49, 5 %), Mota-Engil (49, 5%) e Vecturis S.A (1%).

Vencedor do concurso internacional para a operação, exploração e manutenção do corredor ferroviário do Lobito, o concessionário assumiu o transporte de mercadorias, nomeadamente minérios e combustíveis, entre o Lobito e o Luau, num percurso de 1.344 quilómetros, tendo a criação de uma solução de transporte intermodal de mercadorias para a RDC e Zâmbia em vista.

Investir 455 milhões de euros em Angola e outros cem milhões na RDC, para melhorar as infra-estruturas do Corredor do Lobito ao nível de capacidade e de segurança, bem como comprar 35 locomotivas e 1.500 carruagens é o compromisso assumido pelo consórcio, ao abrigo do contrato de concessão, que pode ser dilatado para 50 anos.

Encurtar distâncias

Para se atingir os resultados esperados, um mês depois de formalizada a concessão, mais precisamente a 16 de Agosto de 2023, a LAR rubricou um memorando de entendimento com a empresa canadiana Ivanhoe Mines, que explora as minas de cobre de Kamoa-Kakula, na RDC.

O acordo comercial visava assegurar o transporte de 10 mil toneladas de concentrado de cobre no último trimestre de 2023 da RDC para o Porto do Lobito, de onde seriam exportadas para o mercado internacional.

A grande vantagem é que os canadianos da Ivanhoe Mines vêem, agora, reduzido o tempo de viagem de ida e volta através do Corredor do Lobito para 20 dias.

Antes, percorriam até 50 dias por via rodoviária de Kamoa-Kakula para portos de Durban (África do Sul), Walvis Bay (Namíbia), Beira (Moçambique) e Dar-es-Salaam (Tanzânia).

O Corredor do Lobito é de suma importância não só para Angola como para toda a África Austral, por constituir o eixo de exportação mais económico para os minérios provenientes da exploração da região do Copperbelt (englobando a RDC e a Zâmbia), para o mercado internacional – a Europa, América e Ásia, no sentido descendente (Luau/Lobito).

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