NOS organiza conferência sobre cibersegurança e inteligência artificial a 5 de Novembro

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Lisboa recebe a edição de 2026 do Digital Operational Resilience Summit (DORS), uma iniciativa dedicada à protecção das infra-estruturas digitais e à resiliência operacional das empresas.O evento reunirá especialistas e responsáveis empresariais para debater os riscos associados à inteligência artificial, os ataques digitais e as novas exigências regulamentares europeias.

Convento do Beato acolhe encontro sobre segurança digital

A cidade de Lisboa será palco, no próximo dia 5 de Novembro, da edição de 2026 do Digital Operational Resilience Summit (DORS), uma conferência dedicada aos desafios da cibersegurança e da continuidade operacional das organizações numa economia cada vez mais dependente de sistemas digitais.

O encontro terá lugar no Convento do Beato e é organizado conjuntamente pela NOS e pela Skill & Reach, sob o lema “Descodificar o risco, proteger o futuro”. A iniciativa pretende reunir profissionais de tecnologias de informação, gestores empresariais, especialistas em segurança informática e responsáveis pela protecção de infra-estruturas críticas.

A conferência surge num contexto em que as empresas enfrentam ameaças digitais cada vez mais complexas. A utilização crescente de inteligência artificial por organizações e agentes maliciosos está a transformar os métodos de ataque, exigindo mecanismos de prevenção, detecção e resposta mais sofisticados.

O DORS 2026 procura aproximar a discussão técnica das decisões estratégicas das empresas, destacando a necessidade de integrar a cibersegurança na gestão e no planeamento das operações.

Inteligência artificial transforma o cenário das ameaças

Um dos principais temas do encontro será o impacto dos agentes de inteligência artificial na segurança das infra-estruturas digitais. Estes sistemas conseguem executar tarefas complexas de forma autónoma ou semiautónoma, podendo identificar vulnerabilidades, analisar ambientes informáticos e adaptar determinadas acções em função das respostas dos sistemas.

A utilização destas tecnologias por agentes maliciosos pode aumentar a velocidade e a escala dos ataques. Processos que anteriormente exigiam intervenção humana constante poderão ser automatizados, tornando mais difícil para as equipas de segurança acompanhar todas as actividades suspeitas.

A conferência contará com um painel dedicado à defesa de infra-estruturas críticas perante ataques conduzidos por agentes de IA. A discussão reunirá Pedro Zeferino, responsável de segurança da informação da NOS, Ivo Rosa, responsável pelo Centro de Operações de Segurança da EDP, e Vitor Ventura, investigador principal de segurança da Cisco Talos.

O debate deverá abordar a necessidade de desenvolver mecanismos de defesa capazes de acompanhar a evolução dos ataques automatizados, incluindo a utilização de sistemas de detecção em tempo real e a resposta coordenada a incidentes.

A adopção da inteligência artificial na cibersegurança também apresenta oportunidades. As empresas podem utilizar ferramentas inteligentes para identificar padrões anormais, analisar grandes volumes de dados e acelerar a investigação de incidentes. Contudo, a eficácia destas soluções depende da qualidade dos dados, da supervisão humana e da capacidade de evitar falsos positivos.

Responsabilidade dos gestores perante ataques digitais

Outro dos painéis centrais será dedicado à responsabilização das administrações empresariais perante ataques realizados com recurso à inteligência artificial.

A discussão, intitulada “Defender à velocidade dos comités: responsabilização na era dos atacantes com IA”, reunirá João Lázaro, responsável global de segurança da informação da Rovensa, David Marques, responsável de cibersegurança do Grupo Nabeiro, e Miguel Gonçalves, responsável de segurança informática da CUF.

O tema reflecte uma mudança na forma como a segurança digital é encarada dentro das organizações. A protecção dos sistemas informáticos deixou de ser exclusivamente uma responsabilidade dos departamentos técnicos, passando a integrar as decisões de gestão, os investimentos, os procedimentos internos e a avaliação de riscos.

Um incidente informático pode afectar não apenas a disponibilidade dos serviços, mas também a reputação de uma empresa, a confiança dos clientes, a protecção de dados e a continuidade das operações. Em sectores como a saúde, a energia e a indústria, as consequências podem ultrapassar o ambiente empresarial e atingir serviços essenciais.

A participação de responsáveis de diferentes sectores permitirá discutir como as administrações devem preparar-se para incidentes, definir responsabilidades e assegurar que os planos de resposta são adequados à dimensão e à natureza dos riscos.

NIS2 e DORA reforçam exigências regulamentares

O enquadramento regulamentar europeu será igualmente uma das áreas de destaque da conferência. A agenda prevê discussões sobre a directiva NIS2 e o regulamento DORA, dois instrumentos que reforçam as exigências de segurança e resiliência das organizações.

A directiva NIS2 alarga o âmbito das obrigações de cibersegurança a um conjunto mais vasto de sectores considerados essenciais ou importantes. Entre as exigências estão medidas de gestão de riscos, mecanismos de prevenção, comunicação de incidentes e maior supervisão das entidades abrangidas.

O regulamento DORA, por sua vez, concentra-se na resiliência operacional digital do sector financeiro. O diploma estabelece requisitos para que bancos, instituições financeiras e outras entidades abrangidas consigam manter ou recuperar as suas operações perante falhas tecnológicas, ciberataques e interrupções de serviços.

A aplicação destas regras implica investimentos em tecnologia, processos de gestão, formação e mecanismos de controlo. As organizações também precisam de avaliar os riscos associados aos seus fornecedores tecnológicos, uma vez que a dependência de serviços externos pode representar um ponto vulnerável.

A conferência pretende discutir como as empresas podem adaptar-se às exigências regulamentares sem limitar a inovação tecnológica, procurando integrar a conformidade legal na estratégia global de segurança.

Participação de especialistas nacionais e internacionais

O programa do DORS 2026 inclui 19 sessões e dois painéis de debate. A abertura estará a cargo de João Ricardo Moreira, administrador da NOS Comunicações.

Entre os oradores confirmados encontram-se Joe Weiss, director do Prisma Browser na Palo Alto Networks; João Horta, vice-presidente sénior da Fortinet; Núria Jordi, directora na Cisco; Álvaro del Hoyo, responsável tecnológico da CrowdStrike para a Europa do Sul; Krishna Narayanaswamy, co-fundadora e directora tecnológica da Netskope; e Manuel Ferreira, gestor sénior de consultoria da Claranet Portugal.

A presença de especialistas de empresas tecnológicas internacionais deverá permitir abordar diferentes perspectivas sobre a protecção de sistemas, a gestão de riscos e a resposta a incidentes. O encontro também pretende promover a partilha de experiências entre organizações que enfrentam desafios semelhantes, apesar de actuarem em sectores distintos.

A diversidade de participantes reforça a dimensão empresarial da iniciativa, que procura ligar os conhecimentos técnicos às necessidades práticas das organizações.

Resiliência digital como prioridade empresarial

A realização do DORS 2026 reflecte a crescente importância da resiliência digital para o funcionamento das empresas. A transformação tecnológica tem aumentado a eficiência de processos, mas também ampliado a exposição a falhas, ataques e interrupções.

A segurança informática passou a ser um elemento fundamental para garantir a continuidade dos serviços. A capacidade de prevenir incidentes, identificar ameaças e recuperar rapidamente de uma falha pode determinar o impacto financeiro e operacional de um ataque.

A inteligência artificial acrescenta uma nova dimensão a este desafio. Embora possa melhorar a capacidade de defesa, também pode ser utilizada para desenvolver ataques mais rápidos e sofisticados. As organizações terão, por isso, de equilibrar a adopção de novas tecnologias com medidas de controlo, supervisão e gestão de riscos.

O encontro de Lisboa pretende contribuir para essa discussão, reunindo especialistas e decisores em torno de estratégias que permitam proteger as empresas num ambiente digital em constante evolução.

Com a conferência marcada para 5 de Novembro, a NOS e a Skill & Reach colocam a cibersegurança, a inteligência artificial e a resiliência operacional no centro do debate empresarial, num momento em que a protecção dos sistemas digitais assume um papel cada vez mais determinante para a estabilidade das organizações.

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