Egípcio declara-se culpado por ataque com bombas incendiárias contra manifestação pró-Israel nos Estados Unidos

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O cidadão egípcio Mohamed Sabry Soliman declarou-se culpado, na quinta-feira, 29 de Outubro de 2026, de crimes federais de ódio e de utilização de explosivos relacionados com um ataque contra uma manifestação pró-Israel na cidade de Boulder, no estado norte-americano do Colorado. O atentado ocorreu a 1 de Junho de 2025 e provocou a morte de uma mulher de 82 anos, além de ferir várias outras pessoas.

Soliman, de 46 anos, já cumpre uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, depois de se ter declarado culpado, em Maio deste ano, de mais de uma centena de acusações apresentadas pelas autoridades estaduais, incluindo homicídio em primeiro grau.

No processo federal, o homem admitiu nove acusações relacionadas com crimes de ódio e três relativas a explosivos. O acordo judicial prevê que os procuradores solicitem uma nova pena de prisão perpétua, acrescida de 50 anos de prisão. A sentença federal está marcada para 7 de Janeiro de 2027.

Ataque ocorreu durante manifestação em solidariedade com reféns israelitas

O atentado teve lugar no centro de Boulder, durante uma manifestação organizada pelo grupo Run for Their Lives, que procurava chamar a atenção para a situação dos reféns capturados pelo Hamas durante os ataques de 7 de Outubro de 2023, em Israel.

Segundo os elementos apresentados no processo, Soliman aproximou-se dos manifestantes disfarçado de jardineiro e transportava um recipiente com bombas incendiárias de fabrico artesanal. Durante o ataque, lançou dois cocktails Molotov contra a multidão, provocando incêndios e ferimentos entre os participantes.

As autoridades afirmaram que o agressor gritou «Free Palestine» durante o ataque. Os investigadores indicaram ainda que Soliman transportava outras 16 bombas incendiárias que não chegou a utilizar.

A manifestação decorria numa zona comercial pedonal conhecida como Pearl Street Mall, nas proximidades do tribunal municipal de Boulder. O ataque transformou um encontro público pacífico num cenário de incêndios, feridos e pânico.

Ataque provocou uma morte e dezenas de vítimas identificadas

Entre as vítimas encontrava-se Karen Diamond, de 82 anos, que sofreu queimaduras graves e morreu posteriormente, em Junho de 2025, em consequência dos ferimentos. O marido também sofreu queimaduras graves, mas sobreviveu.

As autoridades do Colorado identificaram 29 vítimas relacionadas com o ataque. Desse total, 14 pessoas sofreram queimaduras ou ferimentos enquanto tentavam escapar, enquanto outras 15 foram consideradas alvos de tentativa de homicídio por estarem suficientemente próximas da área atingida.

O processo judicial federal incluiu acusações relacionadas com a morte de Diamond e com as tentativas de matar outros participantes na manifestação.

Durante a audiência de quinta-feira, Soliman respondeu às perguntas do juiz através de um intérprete. O tribunal procurou confirmar que compreendia as consequências da declaração de culpa e os termos do acordo alcançado com a acusação.

Procuradores apontam motivação de ódio religioso e nacional

De acordo com os elementos admitidos no processo, Soliman escolheu os manifestantes devido à sua religião, origem nacional real ou presumida e associação à comunidade judaica.

Os procuradores sustentaram que o ataque foi planeado antecipadamente. Segundo declarações atribuídas ao próprio durante a investigação, Soliman preparou a acção durante aproximadamente um ano, adiando a execução até depois da conclusão do ensino secundário da filha.

As autoridades afirmaram igualmente que o homem procurou atingir pessoas que identificava como sionistas. O sionismo é um movimento político e nacional associado ao estabelecimento e à manutenção de um Estado judeu. A identificação de pessoas com esse movimento, contudo, não permite presumir que todos os participantes numa manifestação tenham posições políticas idênticas.

O caso ocorreu num período de fortes tensões nos Estados Unidos em torno da guerra na Faixa de Gaza, iniciada após os ataques do Hamas contra Israel em Outubro de 2023. O conflito contribuiu para o aumento das tensões entre comunidades e para a ocorrência de incidentes de ódio contra judeus e muçulmanos.

Homem já cumpre prisão perpétua por crimes estaduais

A declaração de culpa no processo federal surge depois de Soliman ter admitido, em Maio de 2026, a responsabilidade por mais de uma centena de acusações estaduais, incluindo homicídio em primeiro grau.

Nesse processo, foi condenado a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, além de uma pena adicional de 2.128 anos de prisão relativa às restantes acusações, entre as quais tentativa de homicídio, agressão e utilização criminosa de explosivos.

A nova condenação federal poderá acrescentar outra pena de prisão perpétua ao tempo de reclusão já determinado pelo tribunal estadual. Os procuradores federais decidiram não solicitar a pena de morte, apesar de esta ter sido inicialmente considerada no processo.

A juíza federal responsável pela audiência deverá analisar as orientações de aplicação de penas antes de tomar uma decisão definitiva. A recomendação da acusação não é automaticamente vinculativa para o tribunal.

Família foi detida pelas autoridades de imigração

Após a detenção de Soliman, a sua então mulher e os cinco filhos foram colocados sob custódia das autoridades de imigração norte-americanas e transferidos para uma instalação no Texas, em Junho de 2025.

A família permaneceu detida durante mais de dez meses, até à libertação determinada por um tribunal, em Abril de 2026. Poucos dias depois, a mulher e os filhos voltaram a ser detidos após regressarem ao Colorado, mas acabaram novamente libertados depois da intervenção dos advogados.

Segundo os documentos judiciais, Soliman afirmou que os familiares não tinham conhecimento dos seus planos. A mulher divorciou-se posteriormente do acusado.

As questões migratórias da família continuaram a fazer parte dos processos judiciais relacionados com o caso, embora não constituam prova de participação no atentado.

Sentença federal será conhecida em Janeiro de 2027

A audiência de quinta-feira encerrou uma etapa importante do processo federal, com a admissão formal de culpa por parte de Soliman. A próxima fase será a determinação da pena, prevista para 7 de Janeiro de 2027.

A decisão deverá considerar a gravidade dos crimes, a morte de Karen Diamond, os ferimentos provocados às restantes vítimas e os termos do acordo judicial.

O caso volta a colocar em destaque a segurança de manifestações públicas nos Estados Unidos e as consequências criminais de ataques motivados por ódio religioso ou nacional. Para além das penas já aplicadas, o processo federal procura responsabilizar Soliman pela utilização de explosivos e pelo carácter discriminatório da violência praticada.

A declaração de culpa elimina a necessidade de um julgamento federal para determinar a responsabilidade do acusado pelas acusações admitidas, mas a pena definitiva deste processo ainda depende da decisão do juiz.

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