A Samsung Electronics registou um crescimento histórico dos seus resultados financeiros no terceiro trimestre de 2026, impulsionado pela forte procura global de semicondutores utilizados em sistemas de inteligência artificial (IA). A gigante sul-coreana alcançou um lucro operacional de 107,4 biliões de wons entre Julho e Setembro, um aumento de 783,1% em comparação com o mesmo período de 2025.
A empresa anunciou igualmente receitas de 195,25 biliões de wons, correspondentes a uma subida de 126,9% em termos homólogos. O lucro líquido atingiu 75,13 biliões de wons, mais 514,6% do que os 12,22 biliões registados no terceiro trimestre do ano anterior.
Os resultados colocam a Samsung numa posição histórica: a companhia tornou-se a primeira empresa tecnológica mundial a ultrapassar os 100 biliões de wons em lucro operacional num único trimestre. O desempenho prolonga uma sequência de quatro trimestres consecutivos de recordes nas receitas e no lucro operacional.
Inteligência artificial impulsiona o negócio de semicondutores
O principal motor deste crescimento foi a divisão de semicondutores, beneficiada pela expansão dos centros de dados e pela necessidade crescente de componentes capazes de suportar sistemas de IA cada vez mais exigentes.
A divisão registou receitas de 147,1 biliões de wons e um lucro operacional de 106,5 biliões de wons no trimestre, representando a esmagadora maioria do resultado operacional consolidado da empresa.
A procura por servidores de inteligência artificial tem aumentado a necessidade de memórias de alto desempenho, essenciais para alimentar os processadores utilizados no treino e na execução de modelos de IA. Este cenário tem favorecido os fabricantes de semicondutores, sobretudo num mercado marcado por limitações de capacidade produtiva e pela subida dos preços das memórias.
A Samsung destacou o desempenho do seu negócio de memórias, que alcançou novos recordes de receitas e lucros operacionais. A empresa beneficiou da expansão das vendas de produtos destinados à inteligência artificial, ao mesmo tempo que procurou ajustar a sua oferta às necessidades dos clientes empresariais.
Memórias HBM4 ganham importância estratégica
Entre os produtos que sustentam o crescimento da companhia encontram-se as memórias de alta largura de banda, conhecidas pela sigla HBM. Estes componentes permitem transferir grandes quantidades de dados rapidamente e são utilizados em aceleradores e outros sistemas de computação de alto desempenho destinados à inteligência artificial.
A Samsung ampliou as vendas das memórias HBM4, a sexta geração desta tecnologia, e reforçou a oferta de unidades de armazenamento SSD para servidores. As vendas de HBM4 mais do que triplicaram no terceiro trimestre face ao trimestre anterior, segundo os dados divulgados pela empresa.
A crescente importância destes componentes reflecte uma transformação no mercado de semicondutores. Para além dos processadores, a capacidade de disponibilizar memória rápida e em grandes quantidades tornou-se um factor determinante para o desempenho dos sistemas de IA.
A companhia procura aproveitar esta tendência para fortalecer a sua posição num segmento de elevado valor acrescentado, competindo com fabricantes como a SK hynix e a Micron. A concorrência permanece intensa, sobretudo no fornecimento de memórias avançadas destinadas aos principais operadores de centros de dados.
Samsung prevê que a procura continue a crescer em 2027
A empresa espera que os investimentos em infra-estruturas de inteligência artificial continuem a sustentar o mercado de semicondutores nos próximos trimestres. Para 2027, a Samsung antecipa uma expansão significativa dos investimentos relacionados com IA, acompanhada por uma procura de memórias que poderá superar a capacidade de oferta do sector.
A fabricante pretende aumentar as vendas de HBM, memórias DRAM para servidores e unidades SSD, procurando responder às necessidades de empresas que estão a construir ou a ampliar centros de dados.
A companhia também procura garantir maior previsibilidade para o negócio através de acordos de fornecimento de longo prazo. Estes contratos ajudam os fabricantes a planear a produção e permitem aos clientes assegurar o acesso a componentes essenciais num mercado sujeito a escassez.
Apesar das perspectivas positivas, a expansão da capacidade produtiva exige investimentos elevados e tempo para construir, equipar e colocar novas instalações em funcionamento. Por isso, a capacidade de responder à procura sem comprometer a rentabilidade continuará a ser um dos principais desafios da Samsung.
Negócio de dispositivos enfrenta dificuldades
Apesar dos resultados históricos no sector dos semicondutores, nem todas as áreas da Samsung apresentaram o mesmo desempenho. A divisão Device eXperience (DX), responsável por vários negócios de electrónica de consumo e dispositivos móveis, registou um prejuízo operacional de 800 mil milhões de wons no terceiro trimestre, marcando o segundo trimestre consecutivo no vermelho.
A divisão enfrentou custos elevados dos componentes e um ambiente comercial mais exigente. Embora as vendas tenham beneficiado do lançamento de novos equipamentos premium, incluindo smartphones dobráveis, a pressão sobre os custos continuou a afectar a rentabilidade.
O contraste entre as divisões evidencia o peso crescente dos semicondutores nos resultados globais da empresa. A procura relacionada com a inteligência artificial está a gerar receitas extraordinárias, enquanto alguns segmentos tradicionais de electrónica enfrentam margens mais reduzidas e dificuldades em compensar o aumento dos custos.
A Samsung pretende continuar a reforçar a oferta de produtos de maior valor acrescentado e melhorar a rentabilidade dos seus negócios, procurando equilibrar o crescimento no mercado de IA com a estabilidade das restantes áreas.
Resultados recorde não impedem queda das acções
Apesar do crescimento expressivo dos lucros, as acções da Samsung registaram uma queda superior a 5% durante a sessão de quinta-feira, 29 de Outubro, na bolsa de Seul.
A reacção demonstra que resultados financeiros muito positivos não garantem, por si só, uma subida das acções. Os investidores também avaliam se os números correspondem às expectativas previamente incorporadas no preço dos títulos e se o ritmo de crescimento poderá manter-se nos próximos anos.
Neste caso, as previsões dos analistas para alguns indicadores financeiros eram superiores aos resultados apresentados, o que contribuiu para a desilusão do mercado. Persistem igualmente preocupações sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial e sobre a possibilidade de a procura por infra-estruturas de IA abrandar no futuro.
A evolução das acções reflecte, assim, a diferença entre o desempenho já alcançado pela empresa e as expectativas quanto à sua capacidade de manter este ritmo de crescimento.
Investimento e concorrência serão decisivos
A Samsung prevê investir 84,4 biliões de wons em despesas de capital durante 2026, incluindo 76,8 biliões destinados à divisão de semicondutores. O investimento procura ampliar e modernizar a capacidade produtiva, responder à procura por componentes avançados e fortalecer a posição da empresa nos mercados de IA e computação de alto desempenho.
A estratégia surge num momento em que os principais fabricantes mundiais de memórias estão a disputar contratos com empresas tecnológicas que necessitam de garantir fornecimentos estáveis para os seus centros de dados.
O desafio será transformar a procura actual em crescimento sustentável, sem assumir riscos excessivos caso o mercado abrande ou a concorrência pressione os preços. A evolução tecnológica das memórias HBM, a capacidade de produção e os contratos de fornecimento deverão desempenhar um papel central nesta disputa.
Os resultados do terceiro trimestre confirmam a importância crescente da inteligência artificial para o negócio da Samsung. Contudo, a queda das acções após a divulgação dos números mostra que o mercado continua atento não apenas aos lucros recorde, mas também à capacidade da empresa de superar expectativas e manter a rentabilidade num sector cada vez mais competitivo.





