A plataforma angolana de financiamento colaborativo, que até agora só trabalhava com doações, diz ter angariado 1,4 mil milhões de kwanzas em 53 campanhas. A novidade chega enquanto a lei do sector está em discussão na Assembleia Nacional.
A FundCube, plataforma angolana de financiamento colaborativo (crowdfunding), lançou a 28 de Outubro, em Luanda, uma modalidade com recompensa. Os promotores de projectos passam a poder oferecer produtos, serviços ou outros benefícios a quem os financia. Até agora, a plataforma funcionava apenas com doações. A empresa pretende mobilizar cerca de 20 milhões de dólares nos próximos cinco anos.
Segundo a FundCube, a plataforma realizou 53 campanhas nos últimos dois anos, que angariaram 1,4 mil milhões de kwanzas. A empresa foi lançada em Agosto de 2024 e tinha anunciado mais de 400 milhões de kwanzas no primeiro ano de actividade, segundo a Forbes África Lusófona.
O co-fundador Carlos Saturnino apresentou a nova modalidade como uma evolução do modelo de doações. “Esta modalidade permite que os promotores apresentem os seus projectos e, em contrapartida, ofereçam recompensas às pessoas que decidirem financiá-los ou apoiá-los”, afirmou. Segundo a empresa, o modelo permite também testar a aceitação de produtos antes de os lançar no mercado.
Para 2027, a FundCube prevê introduzir uma modalidade de recompensa financeira. A plataforma indica como parceiros a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), a BFA Capital Markets, a AES, o Ninho de Pérolas, o Founder Institute e a ECOANGOLA.
Uma lei em preparação
O financiamento colaborativo ainda não tem lei própria em Angola. A proposta do Governo deu entrada na Assembleia Nacional no fim de Abril e foi aprovada na generalidade, segundo o Expansão. O diploma prevê modalidades de doação e de recompensa sob supervisão da Autoridade Nacional de Inspecção Económica e Segurança Alimentar (ANIESA). Adopta apenas o modelo “tudo ou nada”: se a campanha não atingir o montante definido no prazo, o dinheiro é devolvido aos apoiantes.
A FundCube não é a primeira plataforma a oferecer recompensas no país. A Alívio, da Rebento, funciona desde Fevereiro de 2024 com doações compensadas por gratificações não financeiras, segundo o Expansão.






