Clientes particulares recebem dias adicionais de serviço e os empresariais um crédito na factura de Agosto ou Setembro, sem necessidade de pedido. Investigação forense não identificou, até à data, acesso indevido a dados pessoais de clientes e parceiros, segundo a operadora
A UNITEL deu por concluída a reposição dos serviços afectados pelo ataque cibernético de 28 de Julho e vai compensar automaticamente os clientes, anunciou a operadora.
Em comunicado divulgado na quinta-feira, 20 de Agosto, a empresa informou que os clientes empresariais receberão um crédito na factura de Agosto ou de Setembro e os clientes particulares terão direito a dias adicionais de serviço, sendo a atribuição automática e sem necessidade de qualquer pedido ou contacto. A comunicação aos visados é feita por mensagem escrita ou correio electrónico.
Os serviços móveis de voz, mensagens, dados e acesso à Internet estão repostos em todo o território nacional, incluindo os serviços de terceiros que operam sobre a rede da operadora, sendo o toque de espera a única excepção, com relançamento a anunciar posteriormente. No plano comercial, a rede de lojas próprias e de agentes e os serviços de apoio ao cliente funcionam normalmente, mantendo-se restrições na alteração de tarifários pós-pagos, que afectam um número reduzido de utilizadores e deverão ser levantadas nas próximas semanas.
A interrupção começou às 02h20 de terça-feira, 28 de Julho, e a operadora classificou o ataque como sendo de “extraordinária magnitude e sofisticação”. As redes 2G e 3G foram repostas em todo o território às 23h00 de 30 de Julho, segundo comunicado anterior da empresa, seguindo-se a recuperação faseada dos restantes serviços ao longo das três semanas seguintes.
Quanto à segurança dos dados, a investigação forense conduzida com o apoio de especialistas externos independentes não identificou, até à data, comprometimento, acesso indevido ou partilha indevida de dados pessoais de clientes e parceiros. A UNITEL afirma manter a investigação e a monitorização do incidente e compromete-se a comunicar ao mercado, aos clientes e às autoridades qualquer novo facto relevante, nos termos da legislação em vigor.
O ataque ocorreu no dia anterior à estreia das acções da UNITEL na Bolsa de Dívida e Valores de Angola. Segundo o Relatório e Contas de 2025, a operadora conta com 20,8 milhões de clientes e detém uma quota de mercado de 76 por cento em Angola, operando ainda em Cabo Verde e em São Tomé e Príncipe, mercados que não foram afectados pela interrupção.
A interrupção começou horas depois de conhecidos os resultados da oferta pública de venda de 15 por cento do capital da UNITEL, detido pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado. Das 17.549 ordens de subscrição foram contempladas 16.571, correspondentes a 11.264 investidores que se tornaram accionistas da operadora. A liquidação realizou-se a 28 de Julho e a admissão à negociação no Mercado de Bolsa de Acções ocorreu no dia seguinte, com a rede ainda em recuperação.





