Teerão afirma que entendimento sobre novas rotas marítimas está próximo, mas condiciona reabertura do estreito a concessões de Washington
Crise mantém pressão sobre uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e gás natural liquefeito
O Irão afirmou este domingo que um acordo com Omã para estabelecer novas rotas de navegação no Estreito de Ormuz está na fase final, mas advertiu que o entendimento não permitirá, por si só, a reabertura da estratégica passagem marítima. Teerão exige que os Estados Unidos cumpram outras condições antes de autorizar a retoma normal do tráfego.
O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, afirmou que as negociações com Omã avançaram significativamente e que o acordo sobre as novas vias marítimas está próximo de ser concluído. Segundo o responsável, a implementação do entendimento dependerá, contudo, de medidas adicionais por parte de Washington.
Entre as exigências apresentadas pelo Irão estão a compensação pelos danos provocados pelas operações militares norte-americanas, o levantamento das sanções, o fim das ameaças militares e a suspensão do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos. Teerão também exige o fim do que considera uma política de hostilidade dos Estados Unidos contra os seus aliados regionais.
O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irão e Omã, constitui uma das principais passagens marítimas para o comércio mundial de energia. Antes da actual crise, a rota era utilizada para transportar aproximadamente um quinto dos carregamentos mundiais de petróleo e gás natural liquefeito, pelo que uma normalização do tráfego poderá ter efeitos significativos nos mercados internacionais.
A posição iraniana surge depois de um responsável norte-americano ter afirmado, na sexta-feira, que Washington esperava alcançar em breve um acordo entre Irão e Omã que pudesse permitir a retoma do tráfego normal no estreito. O entendimento é considerado uma componente importante de uma eventual solução mais ampla para o conflito entre Washington e Teerão.
Apesar dos avanços, Irão e Estados Unidos não mantêm actualmente negociações directas. Araqchi afirmou que as comunicações continuam a ocorrer através de intermediários e que Teerão não iniciará negociações directas enquanto considerar que Washington está a violar compromissos assumidos num acordo provisório alcançado em Junho.
A incerteza já produz efeitos nos mercados. Os índices bolsistas do Golfo registaram movimentos limitados no domingo, enquanto o preço do petróleo Brent subiu para cerca de 83,55 dólares por barril, num contexto em que os investidores aguardam maior clareza sobre o futuro do estreito e das exportações de energia.
A situação regional permanece igualmente instável. No mesmo período, os houthis, aliados do Irão no Iémen, reivindicaram um ataque contra a refinaria de Jazan, na Arábia Saudita, aumentando as preocupações sobre a possibilidade de a crise se alargar a outras infra-estruturas energéticas do Golfo.
O eventual acordo entre Teerão e Mascate poderá criar as condições técnicas para reorganizar a navegação em Ormuz, mas a reabertura efectiva do estreito continua dependente de um entendimento mais amplo entre o Irão e os Estados Unidos.





