Inflação em Angola cai para 9,33% em Julho

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Taxa homóloga recua 0,78 pontos percentuais face a Junho e 10,15 pontos em relação a Julho de 2025
Educação regista maior aumento de preços, enquanto alimentação continua a ser a principal responsável pela pressão inflacionista

A inflação homóloga em Angola caiu para 9,33% em Julho de 2026, confirmando a trajectória de desaceleração dos preços observada nos últimos meses. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e citados pelo Jornal OPAÍS, a taxa representa uma redução de 0,78 ponto percentual face a Junho e de 10,15 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025.

A evolução coloca a inflação abaixo dos 10%, num nível que não era registado desde 2015, ano em que teve início a actual série do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN). A desaceleração anual reflecte uma redução significativa do ritmo de crescimento dos preços quando comparado com Julho do ano anterior.

Apesar da descida da inflação geral, algumas categorias continuam a apresentar aumentos expressivos. A classe Educação registou a maior variação homóloga, com 25,24%, seguida pela Alimentação e bebidas não alcoólicas, com 10,40%, Habitação, água, electricidade e combustíveis, com 10,17%, e Saúde, com 10,16%.

A Alimentação e bebidas não alcoólicas, embora não tenha apresentado a maior variação percentual, foi a categoria que mais contribuiu para o aumento geral dos preços, com 6,30 pontos percentuais. Seguiram-se Educação, com 0,47 ponto percentual, Bens e serviços diversos, com 0,46 ponto percentual, e Saúde, com 0,44 ponto percentual.

Os dados mostram, assim, uma diferença entre a evolução da inflação agregada e a pressão sentida em determinadas despesas das famílias. A redução da taxa geral não significa que todos os bens e serviços tenham registado descidas de preços, mas que o ritmo médio de crescimento dos preços diminuiu.

A evolução da inflação constitui um dos principais indicadores acompanhados pelo Banco Nacional de Angola (BNA) na condução da política monetária. Uma desaceleração sustentada poderá criar condições para uma eventual redução das taxas de juro, embora qualquer decisão dependa igualmente da evolução cambial, da liquidez e das expectativas de inflação.

A descida para 9,33% representa um marco relevante para a economia angolana, mas a permanência de aumentos superiores a 10% em categorias como alimentação, habitação e saúde indica que a pressão sobre o orçamento das famílias continua significativa.

A inflação abaixo dos 10% reforça os sinais de estabilização macroeconómica, mas a forte contribuição da alimentação e os aumentos elevados em educação, habitação e saúde mostram que a desaceleração dos preços ainda não é uniforme entre os principais grupos de consumo.

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