Classe subiu 10,40 por cento em termos homólogos, acima dos 9,33 por cento do índice nacional; excluída a alimentação, a variação seria de cerca de 7,7 por cento. O INE não publica medidas de inflação subjacente; o cálculo por exclusão foi feito pela Outside a partir das contribuições divulgadas pelo instituto
A classe alimentação e bebidas não alcoólicas respondeu por 67,5 por cento da inflação homóloga de Julho, contribuindo com 6,30 dos 9,33 pontos percentuais registados pelo índice geral.
Os restantes onze grupos de despesa contribuíram, no conjunto, com pouco mais de três pontos percentuais. Aplicada essa contribuição ao peso remanescente do cabaz, a variação média dos bens e serviços não alimentares situa-se em cerca de 7,7 por cento, cerca de 2,7 pontos percentuais abaixo dos 10,40 por cento apurados na alimentação. O Instituto Nacional de Estatística não divulga índices que excluam bens alimentares ou energia, pelo que o valor resulta de cálculo sobre as contribuições publicadas na própria nota de imprensa.
A concentração explica-se pela estrutura do cabaz. Na actual estrutura de ponderação do Índice de Preços no Consumidor Nacional, construída a partir do Inquérito sobre Despesas e Receitas realizado entre Fevereiro de 2018 e Março de 2019, a alimentação e bebidas não alcoólicas representa 55,67 por cento da despesa das famílias a nível nacional, valor que na província de Luanda ascende a 58,55 por cento. As contribuições divulgadas para Julho apontam, contudo, para um peso efectivo próximo dos 60,6 por cento, cerca de cinco pontos percentuais acima do ponderador original — resultado consistente com anos sucessivos de subidas de preços dos alimentos acima da média do cabaz, que elevam a quota da classe no valor corrente do índice. O INE não publica os ponderadores efectivos actualizados, pelo que a estimativa carece de confirmação do instituto.
A alimentação está também a abrandar mais devagar do que o conjunto dos preços. Em Junho, a classe registava uma variação homóloga de 10,73 por cento, contra 10,11 por cento do índice geral; em Julho, desceu para 10,40 por cento, ao passo que o índice geral recuou para 9,33 por cento. A desaceleração foi de 0,33 pontos percentuais na alimentação e de 0,78 pontos no total, pelo que a distância entre ambos se alargou de 0,62 para 1,07 pontos percentuais num único mês.
O desfasamento tem consequências distributivas que o índice não capta. Sendo o Índice de Preços no Consumidor Nacional uma média nacional ponderada por uma estrutura de consumo única, os agregados familiares que destinam à alimentação uma fatia superior à média — tipicamente os de menor rendimento — enfrentam uma inflação efectiva mais próxima dos 10,40 por cento do que dos 9,33 por cento anunciados. O INE não publica índices de preços desagregados por escalão de rendimento, o que impede quantificar essa diferença.
A estrutura de ponderação em vigor assenta, por seu turno, num inquérito de despesas e receitas concluído em 2019. Os padrões de consumo das famílias angolanas foram entretanto atravessados pela pandemia, pela desvalorização cambial e pela remoção faseada dos subsídios aos combustíveis, sem que os ponderadores tenham sido revistos.
Os ponderadores e o cabaz do Índice de Preços no Consumidor Nacional resultam do Inquérito sobre Despesas e Receitas do INE, realizado entre Fevereiro de 2018 e Março de 2019 junto de 12.448 agregados familiares nas áreas urbanas e rurais de todas as províncias. A revisão então efectuada alargou o cabaz nacional de 362 para 732 bens e serviços e elevou o ponderador da alimentação e bebidas não alcoólicas de 47,11 para 55,67 por cento, ao mesmo tempo que reduziu o da habitação, água, electricidade e combustíveis de 10,77 para 5,38 por cento. O índice é calculado pela fórmula de Laspeyres, com base em Dezembro de 2020 igual a 100.
Em Julho, a alimentação foi a segunda classe com maior subida de preços, atrás apenas da educação, que registou 25,24 por cento mas contribuiu com somente 0,47 pontos percentuais para o índice geral.





