Exportações de gás renderam 1,25 mil milhões de dólares no segundo trimestre, mais 64,2% em termos homólogos

Data:

Volume exportado cresceu 10,74% e o preço médio por tonelada métrica subiu 48,27%, para 821,888 dólares. Gás natural liquefeito representou 86,7% do volume e 92,2% do valor, com a Índia a absorver 63,18% do produto

Angola exportou 1.520.334,67 toneladas métricas de gás natural, gases de petróleo liquefeito e condensados no segundo trimestre, por 1.249.544.220,97 dólares, mais 64,2% do que no período homólogo.

O crescimento da receita resulta essencialmente do preço. O volume exportado aumentou 10,74% face ao segundo trimestre de 2025 e 4,63% em relação ao trimestre anterior, enquanto o preço médio por tonelada métrica passou de 554,302 para 821,888 dólares, um acréscimo de 48,27% em termos homólogos e de 31,44% face ao primeiro trimestre de 2026. O apuramento das variações de preço é da Outside, a partir dos volumes e valores publicados pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás.

O secretário de Estado para os Recursos Minerais, Jânio Corrêa Victor, atribuiu o incremento do valor, que fixou em 37,52% face ao trimestre anterior, fundamentalmente à subida dos preços do gás no mercado internacional.

O gás natural liquefeito domina a carteira em qualquer das dimensões. Foram exportadas 1.317.920,09 toneladas métricas de LNG, ao preço médio de 874,414 dólares por tonelada, correspondentes a 1.152.408.415,52 dólares. O produto representa 86,7% do volume total exportado e 92,2% do valor, uma diferença que traduz o prémio de preço face às restantes rubricas. Em termos homólogos, o volume de LNG cresceu 13,17%, acima do conjunto do segmento.

As restantes rubricas recuaram ou estagnaram. O propano caiu 6,35% em termos homólogos e 6,75% face ao trimestre anterior, para 134.205,46 toneladas métricas e 53.125.624,17 dólares. Os condensados subiram 4,97% em termos homólogos, para 68.185,12 toneladas e 43.993.781,28 dólares. O butano reduziu-se a 24 toneladas métricas no trimestre, com um valor de 16.400 dólares, uma quebra homóloga de 50,03%.

A distribuição mensal acompanhou o padrão de volumes crescentes. Abril registou 433.208,90 toneladas métricas por 385.855.405,72 dólares, Maio 499.125,50 toneladas por 390.845.219,61 dólares e Junho 588.000,28 toneladas por 472.843.595,64 dólares, o mês de maior volume e de maior receita do trimestre.

Do lado dos destinos, o escoamento do LNG é quase integralmente asiático. A Índia absorveu 63,18% do volume exportado, seguida do Bangladesh com 20,86% e da Tailândia com 10,86%, num total de 94,9% para o continente asiático. A Espanha, com 5,09%, foi o único destino fora da Ásia. Nas restantes rubricas, o quadro é menos claro: os documentos registam destinos por determinar em 65,42% do propano e em 49,96% dos condensados exportados, com o remanescente do propano repartido pela China, com 17,80%, pela Índia, com 8,56%, e por Singapura, com 8,21%. Os condensados tiveram a França como destino identificado, com 50,04%, e a totalidade do butano foi encaminhada para São Tomé e Príncipe.

No conjunto do trimestre, as exportações de gás representaram 12,3% da receita bruta obtida com a exportação de hidrocarbonetos, que somou 10.157.525.257,50 dólares contando o petróleo bruto. Todos os dados do segundo trimestre de 2026 estão identificados como provisórios nos documentos oficiais.

A produção angolana de gás natural liquefeito está concentrada na fábrica da Angola LNG, no Soyo, província do Zaire, que processa gás associado à produção petrolífera e gás não associado. O segmento tem vindo a ganhar peso relativo na receita externa do país à medida que a produção de petróleo bruto se mantém estabilizada.

O preço médio por tonelada métrica apurado nos documentos oficiais agrega produtos com estruturas de preço muito distintas — LNG, propano, butano e condensados — e não constitui um indicador de mercado. A comparação entre trimestres é, ainda assim, válida, porque a composição da carteira variou pouco no período.

A concentração do escoamento do LNG em quatro destinos, três dos quais asiáticos, expõe a receita angolana à evolução da procura de um número reduzido de compradores. A Índia consolidou-se como principal mercado, num movimento paralelo ao que se verifica no petróleo bruto, onde a Ásia absorveu 79,38% do volume exportado no mesmo trimestre.

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