Quota chinesa nas exportações nacionais fixou-se em 51,67%, seguida da Índia com 12,20%, da Espanha com 5,45% e da Indonésia com 5,08%. Nas vendas da unidade de comercialização da Sonangol, a exposição ao mercado chinês atingiu 69,41%, contra 54,97% no trimestre anterior
A China absorveu cerca de 45,53 milhões de barris de petróleo bruto angolano no segundo trimestre, 51,67% dos 88.122.036 barris exportados pelo país.
O apuramento do volume é da Outside, a partir da quota divulgada pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás e do total exportado no período. Seguiram-se a Índia, com 12,20%, equivalentes a cerca de 10,75 milhões de barris, a Espanha, com 5,45%, e a Indonésia, com 5,08%.
A exposição é substancialmente mais elevada no segmento comercializado directamente pela empresa estatal. Na Unidade de Negócio Trading & Shipping da Sonangol, que vendeu 30.539.353 barris no trimestre, correspondentes a 34,7% do volume nacional, a China representou 69,41% das vendas, contra 54,97% no primeiro trimestre de 2026. A quota subiu 14,44 pontos percentuais em três meses.
O movimento é tanto mais expressivo quanto o volume global comercializado pela unidade recuou. As vendas da Trading & Shipping caíram 11,3% face ao trimestre anterior, de 34.431.894 para 30.539.353 barris, mas o volume encaminhado para a China aumentou cerca de 12%, de aproximadamente 18,93 para 21,20 milhões de barris. A concentração resultou, portanto, de um crescimento absoluto do escoamento para o mercado chinês e não apenas da contracção dos restantes destinos.
Na estrutura de destinos da empresa estatal, a Índia ficou em segundo lugar com 10,92%, seguida do mercado angolano com 5,56%, da Itália com 3,54%, de Taiwan com 3,53% e da Espanha com 3,51%. No primeiro trimestre, a lista era mais dispersa e incluía a Indonésia com 6,84%, Singapura com 6,79%, a África do Sul com 3,52% e as Bahamas e os Países Baixos com quotas próximas de 3,3%, destinos que deixaram de figurar entre os identificados no segundo trimestre.
No plano nacional, a leitura por regiões confirma o pivô asiático. A Ásia recebeu 79,38% do volume exportado, distribuídos por 75 dos 94 carregamentos realizados no trimestre, num total de 69.955.673 barris. A Europa ficou com 17,21%, correspondentes a 15.168.777 barris em 16 carregamentos, África com 2,32% e 2.045.462 barris em duas operações, e a América do Norte com 1,08%, num único carregamento de 952.124 barris.
Os documentos da Sonangol registam simultaneamente sinais contraditórios sobre a procura asiática ao longo do período. A empresa refere a procura firme das refinarias chinesas por ramas angolanas no início do trimestre, em resultado da limitação da oferta no Golfo Pérsico e do encerramento do Estreito de Ormuz, que terá permitido alcançar prémios não observados nos últimos anos. Refere também, para a fase final do trimestre, a diminuição das importações de petróleo bruto e da actividade de refinação na China, com maior recurso às reservas estratégicas para abastecimento do mercado doméstico, e o alargamento do spread entre o Brent e o Dubai, que terá revertido a viabilidade da arbitragem das ramas angolanas para o Extremo Oriente.
Estas leituras constam da apresentação da própria empresa e não foram confirmadas por fonte independente. Os dados do segundo trimestre de 2026 estão identificados como provisórios nos documentos oficiais.
A China é há mais de uma década o principal comprador de petróleo angolano, condição que tem origem tanto na dimensão da sua capacidade de refinação como nas linhas de crédito garantidas por petróleo contratadas por Angola a partir de 2004. A quota de 51,67% apurada no segundo trimestre situa-se acima da média dos últimos anos, num período marcado pela indisponibilidade de cargas do Golfo Pérsico.
As percentagens de destino divulgadas pelo Ministério referem-se ao volume nacional exportado por todos os operadores, enquanto as da Sonangol respeitam exclusivamente às vendas da sua unidade de comercialização, que agrega barris da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis e barris próprios. A diferença entre as duas estruturas de destino não constitui contradição.
A concentração num comprador dominante expõe a receita externa angolana à evolução da procura e da política de constituição de reservas de um único mercado, num quadro em que a Ásia absorveu igualmente 94,9% do gás natural liquefeito exportado no mesmo trimestre.





