Por: Mário Bragança – Economista
A FILDA 2026 fechou as portas, mas o seu verdadeiro impacto económico começa agora. As feiras internacionais são importantes pela sua capacidade de reunir empresas, investidores e instituições financeiras, mas a sua relevância mede-se pelo que acontece depois: investimento concretizado, crédito concedido, parcerias estabelecidas e actividade produtiva gerada. A 41.ª edição da Feira Internacional de Angola reuniu 2.348 expositores de 22 países e registou um crescimento de 7,5% no volume de negócios, confirmando o seu papel como uma das principais plataformas empresariais do país. A questão central é saber se essa dinâmica se transformará em crescimento económico.
Uma das características mais marcantes desta edição foi a maior presença da banca no debate económico. Em vez de se limitar à promoção institucional, uma parte significativa das instituições financeiras procurou discutir financiamento, investimento e apoio às empresas. Nesse prisma, a participação do Banco Angolano de Investimentos merece uma leitura económica, não por razões de visibilidade que teve, mas pela forma como procurou associar a sua presença à intermediação financeira e ao financiamento da economia real. A banca ganha relevância quando consegue ligar a sua estratégia comercial às necessidades concretas do sector produtivo.
Os números ajudam a contextualizar essa abordagem. No primeiro trimestre de 2026, o BAI registou uma carteira de crédito próxima de 1,9 bilião de kwanzas, representando um crescimento de 44% face ao mesmo período do ano anterior, com um aumento de cerca de 578 mil milhões de kwanzas. O banco apresentou na FILDA soluções de financiamento para empresas, investimento e aquisição de activos, incluindo instrumentos como o Leasing Automóvel. A lição que se pode retirar é que os bancos devem ser avaliados menos pela dimensão dos seus activos e mais pela capacidade de transformar recursos financeiros em crédito produtivo.
Outro indicador relevante é o rácio de transformação de depósitos em crédito de 41,87%, o que significa que uma parte importante dos recursos captados foi canalizada para operações de financiamento. Numa economia em que muitas empresas continuam a enfrentar dificuldades de acesso ao crédito para investir, expandir a produção ou modernizar equipamentos, este indicador do banco sugere uma orientação relativamente mais activa para o financiamento da economia. A intermediação financeira continua a ser um dos factores decisivos para acelerar o investimento privado e reduzir um dos principais estrangulamentos do crescimento económico.
A participação do BAI também evidencia uma mudança importante na forma como os bancos podem utilizar plataformas como a FILDA. Em vez de tratarem a feira apenas como um espaço de marketing, podem encará-la como um ponto de encontro entre capital e projectos. A apresentação de instrumentos específicos de financiamento demonstra que a inovação bancária não depende apenas da tecnologia, mas também da criação de mecanismos que respondam às necessidades de empresas, produtores e investidores.
A FILDA 2026 deixou, por isso, uma conclusão mais importante do que a simples presença dos bancos no evento. Mostrou que o debate sobre o financiamento da economia ganhou centralidade. O caso do Banco Angolano de Investimentos sugere que existe espaço para uma banca mais orientada para o investimento produtivo. Porque, no fim, uma feira abre oportunidades, mas só o financiamento transforma oportunidades em crescimento económico sustentável.





