Egipto quer transformar o Estado numa plataforma digital e promete 450 serviços públicos online até 2030

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Governo pretende digitalizar centenas de serviços, expandir a inteligência artificial e transformar o país num centro tecnológico regional
Estratégia inclui produção local de telemóveis, expansão do 5G, centros de dados e formação de especialistas

O Egipto pretende aumentar para cerca de 450 o número de serviços públicos disponíveis digitalmente até 2030, como parte de uma estratégia nacional destinada a acelerar a transformação digital, desenvolver a indústria tecnológica e reforçar a soberania digital do país.

O ministro das Comunicações e das Tecnologias de Informação, Raafat Hendy, afirmou que o país disponibiliza actualmente 242 serviços através da Plataforma Digital do Egipto. O objectivo é ultrapassar os 270 serviços até ao final de 2026 e atingir aproximadamente 450 até 2030, com recurso crescente à identidade digital e às assinaturas electrónicas.

A estratégia egípcia está organizada em cinco áreas principais: transformação digital, localização da tecnologia e criação de emprego, infra-estruturas digitais, desenvolvimento de competências e reforço da legislação e da governação. O Governo pretende utilizar estas áreas para melhorar os serviços públicos, aumentar a eficiência das empresas e tornar o país mais atractivo para o investimento tecnológico.

A inteligência artificial é uma das prioridades do plano. O Egipto lançou, em 2025, a segunda edição da sua Estratégia Nacional de Inteligência Artificial e está a desenvolver modelos e soluções próprios através do Applied Innovation Center, incluindo o modelo de linguagem de grande escala denominado “Crank”. A tecnologia deverá ser aplicada em sectores como a saúde, a agricultura e a educação.

O país também procura aumentar a produção local de dispositivos electrónicos. A fabricação anual de telemóveis subiu de três milhões de unidades em 2024 para dez milhões no final de 2025, e o Governo pretende superar os 15 milhões de aparelhos produzidos este ano e atingir uma capacidade de 30 milhões de unidades até 2028.

Em paralelo, o Egipto está a expandir as suas infra-estruturas de telecomunicações. Novas frequências foram atribuídas às operadoras móveis para apoiar a expansão da cobertura e dos serviços 5G, enquanto a rede de fibra óptica já chegou a mais de 1.250 aldeias através da iniciativa presidencial Hayat Karima.

O Governo está também a preparar uma estratégia nacional para os centros de dados, com o objectivo de reforçar a soberania digital e atrair investimento nacional e estrangeiro. A cibersegurança continuará a ser uma prioridade à medida que aumentam a utilização de inteligência artificial e a digitalização dos serviços públicos.

A aposta inclui ainda a formação de especialistas em tecnologias digitais através de programas como o Digital Egypt Generations, o Information Technology Institute e o National Telecommunication Institute. O objectivo é preparar trabalhadores para áreas mais avançadas e responder à crescente procura por competências tecnológicas.

O sector das telecomunicações e das tecnologias de informação registou um crescimento de 20,3% no terceiro trimestre do último ano fiscal, o maior da sua história, segundo o ministro. O sector representa actualmente cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Egipto, mas o Governo pretende elevar essa contribuição para 8% até 2030 e aumentar as exportações tecnológicas para 8 mil milhões de dólares até 2028.

Com esta estratégia, o Egipto procura deixar de ser apenas um grande mercado consumidor de tecnologia e tornar-se um dos principais centros digitais de África e do Médio Oriente. A transformação dos serviços públicos, o desenvolvimento de inteligência artificial própria e o investimento em infra-estruturas serão decisivos para determinar se o país conseguirá cumprir essa ambição.

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