Kaminho deverá acrescentar 70 mil barris diários a uma produção que precisa de repor até 150 mil por ano

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FPSO de 6 mil milhões de dólares entrou na segunda e última fase de doca seca na China e deverá chegar a Angola em 2027. Produção nacional ficou abaixo da meta do OGE no primeiro semestre, depois de 2025 ter registado o nível mais baixo da década

O Kaminho, com arranque previsto para 2028, deverá atingir cerca de 70 mil barris diários, perto de metade do declínio anual da produção estimado pela ANPG.

A actualização do projecto foi apresentada na terça-feira, 8 de Setembro, durante a pré-conferência da Angola Oil & Gas 2026, em Luanda. A FPSO do Kaminho entrou na segunda e última fase de doca seca, na China, e o projecto, avaliado em cerca de 6 mil milhões de dólares, atingiu 50% de execução. A deslocação da unidade para Angola está prevista para 2027, antes do início da produção, em 2028.

O peso do projecto mede-se face ao declínio dos campos em produção. Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, o país tem de repor todos os anos entre 140 e 150 mil barris diários para compensar o declínio e manter a produção acima de um milhão de barris por dia. Com um patamar de 70 mil barris, o Kaminho cobre perto de metade da reposição necessária num único ano.

A produção média de 2025 fixou-se em 1,029 milhões de barris por dia, o nível mais baixo da última década e menos 40,2% do que os 1,722 milhões registados em 2016. No primeiro semestre de 2026, a média ficou em 1,032 milhões de barris diários, abaixo dos 1,050 milhões inscritos no Orçamento Geral do Estado, o que obriga as operadoras a produzir pelo menos 1,068 milhões por dia na segunda metade do ano para cumprir a meta. A administradora da ANPG Ana Miala afirmou em Abril que o Kaminho ajudará a sustentar a produção do país acima de um milhão de barris diários.

O Kaminho é o primeiro grande desenvolvimento em águas profundas da Bacia do Kwanza e vai explorar os campos Cameia e Golfinho, no Bloco 20/11, a cerca de 100 quilómetros da costa e 1.700 metros de profundidade. A TotalEnergies opera o bloco com 40%, em parceria com a Petronas, também com 40%, e a Sonangol, com 20%, e a decisão final de investimento foi anunciada em Maio de 2024. Segundo a operadora, o projecto tem um preço de equilíbrio inferior a 30 dólares por barril.

A TotalEnergies atribuiu à Saipem três contratos no valor de 3,7 mil milhões de dólares para a engenharia, aquisição e construção da FPSO e serviços associados, e a Saipem subcontratou a conversão ao estaleiro China Merchants Heavy Industry, em Nantong. A unidade resulta da conversão do petroleiro Alsace, construído em 2012 pela Samsung Heavy Industries. Os trabalhos de conversão começaram a 14 de Abril de 2025. A Saipem ficará responsável pela operação e manutenção da unidade durante 12 anos, com possibilidade de extensão por mais oito.

Em Angola, componentes do sistema submarino estão a ser fabricados nos estaleiros da Petromar, no Ambriz, província do Bengo, com 90% de trabalhadores angolanos. A Petromar, parceria entre a Sonangol e a Saipem, recebeu o prémio Empresa Nacional de Serviços do Ano na AOG 2026 pelas estruturas de protecção destinadas à FPSO do projecto. Na decisão de investimento, a TotalEnergies estimou que o Kaminho envolverá mais de 10 milhões de horas de trabalho em Angola, sobretudo em operações offshore e construção em estaleiros locais.

O gás associado produzido será integralmente reinjectado nos reservatórios. Segundo Ana Miala, o projecto tem ainda um potencial de gás de cerca de 1 trilião de pés cúbicos. O Plano Director do Gás Natural não prevê fornecimento de gás da Bacia do Kwanza antes de 2030.

Angola atingiu, em Julho de 2008, uma produção de dois milhões de barris de petróleo por dia. A Estratégia de Longo Prazo Angola 2050 projecta que, dentro de 24 anos, o petróleo deixe de ser a base principal da economia, com uma produção de cerca de 340 mil barris diários e um peso de 3% no PIB. Entre os próximos projectos está o Greater PAJ, da Azule Energy, com capacidade para 95 mil barris diários e primeiro petróleo previsto para o primeiro semestre de 2029. Em Fevereiro de 2026, a ANPG anunciou uma descoberta de cerca de 500 milhões de barris no poço Algaita-01, do Bloco 15/06, na Bacia do Baixo Congo.

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