Teerão diz ter atingido dez embarcações perto do Estreito de Ormuz em resposta à destruição de cinco petroleiros iranianos pelas forças norte-americanas.Escalada reduz circulação marítima e volta a pressionar o mercado petrolífero, com o Brent a ultrapassar os 100 dólares por barril.
O conflito entre os Estados Unidos e o Irão entrou numa nova fase de escalada, depois de Teerão ter anunciado ataques contra dez embarcações nas proximidades do Estreito de Ormuz, em resposta ao afundamento de cinco petroleiros iranianos pelas forças norte-americanas. A ofensiva incluiu ainda o lançamento de mísseis balísticos contra uma base utilizada por forças dos Estados Unidos na Jordânia.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que os ataques marítimos atingiram dois navios norte-americanos e oito petroleiros. A organização ameaçou ampliar a resposta caso ocorram novos ataques, afirmando que uma ofensiva contra dois ou três alvos iranianos poderá provocar uma resposta contra 20 alvos.
Os Estados Unidos, por sua vez, afirmaram ter destruído cinco petroleiros iranianos durante a noite. O Comando Central norte-americano justificou a operação como resposta a ataques com mísseis balísticos contra um navio de guerra dos Estados Unidos. Segundo Washington, nenhum militar norte-americano ficou ferido.
A violência já provocou vítimas entre as tripulações comerciais. Um marinheiro morreu a bordo do petroleiro de produtos petrolíferos Hercules Star, enquanto outro continua desaparecido. A embarcação encontrava-se fundeada ao largo do Dubai e poderá ter sido atingida por um drone, segundo fontes de segurança marítima citadas pela Reuters.
Outro petroleiro, o New Andros, que transportava cerca de dois milhões de barris de fuelóleo iraquiano, incendiou-se depois de ser atingido por um drone em águas iraquianas. A embarcação tinha 22 tripulantes e não foram registadas vítimas entre a tripulação.
A escalada também atingiu directamente a Jordânia. A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado mísseis balísticos contra uma base utilizada pelas forças norte-americanas perto de Al Azraq, no leste do país. As autoridades jordanas disseram ter interceptado 18 dos 20 mísseis, enquanto uma fonte norte-americana afirmou que o ataque foi ineficaz e que todos os militares dos Estados Unidos estavam contabilizados.
Ormuz volta a pressionar o mercado petrolífero
A nova vaga de ataques ameaça comprometer ainda mais o tráfego pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito. Dados preliminares da Kpler indicaram que apenas seis embarcações de carga passaram pelo estreito na terça-feira, contra nove no dia anterior e uma média de 12 nos dez dias anteriores. Antes da guerra, a passagem movimentava cerca de 125 grandes embarcações comerciais por dia e representava aproximadamente 20% do fornecimento mundial diário de petróleo bruto e gás natural liquefeito.
A redução do tráfego ocorre num momento de forte pressão sobre os preços da energia. O Brent ultrapassou os 100 dólares por barril pela primeira vez desde Julho, enquanto o West Texas Intermediate também avançou. Desde o início de Agosto, o Brent acumulava uma valorização de cerca de 25%, segundo dados citados pela Reuters.
A situação acrescenta riscos para países dependentes das importações de energia e aumenta a pressão sobre a inflação. A combinação entre ataques a navios, redução do tráfego em Ormuz e novos ataques dos Houthis contra infra-estruturas energéticas da Arábia Saudita aumenta a incerteza sobre a continuidade dos fluxos de petróleo provenientes do Golfo.
A Organização das Nações Unidas apelou entretanto a todas as partes para exercerem “máxima contenção”, numa tentativa de evitar que os ataques marítimos e militares provoquem uma expansão ainda maior do conflito na região.





