Convenção republicana em Dallas procura mobilizar o partido para as eleições intercalares de Novembro, mas expõe uma questão que ganha peso dentro do movimento: quem conduzirá o Partido Republicano depois de Trump.JD Vance surge como um dos principais nomes para 2028, enquanto dirigentes e estrategas discutem quanto do programa político de Trump deverá sobreviver à sua saída da Casa Branca.
O Partido Republicano reúne-se esta semana em Dallas para celebrar a liderança de Donald Trump e preparar as eleições intercalares de 3 de Novembro, mas o encontro também funciona como palco para uma discussão cada vez mais relevante: o futuro do partido sem o actual Presidente. Trump está constitucionalmente impedido de procurar um terceiro mandato.
A questão ganha importância porque um resultado fraco nas eleições poderá reduzir o poder republicano em Washington e acelerar a disputa pela sucessão política de Trump. O Presidente continua a ser a figura dominante do partido, mas os republicanos já discutem quais dos elementos do trumpismo deverão permanecer depois de 2029.
Entre os nomes mais observados está o vice-presidente JD Vance, que fará o discurso principal da convenção na quinta-feira. A intervenção poderá funcionar como uma primeira demonstração da forma como Vance pretende liderar o movimento e poderá reforçar a sua posição numa eventual candidatura presidencial em 2028.
O secretário de Estado Marco Rubio e o senador Ted Cruz também fazem parte do grupo de figuras republicanas que procuram definir o seu espaço dentro do partido. As diferenças não significam necessariamente uma rejeição do trumpismo, mas revelam debates sobre a intensidade das políticas económicas, migratórias e externas que deverão permanecer depois da saída de Trump.
O que ficará do trumpismo
Desde a primeira vitória presidencial, em 2016, Trump afastou o Partido Republicano de algumas posições tradicionais, sobretudo em matéria de comércio livre e política externa. O movimento passou a combinar nacionalismo económico, restrições à imigração, maior desconfiança em relação às instituições internacionais e uma aproximação mais forte aos eleitores da classe trabalhadora.
Segundo republicanos ouvidos pela Reuters, é pouco provável que o partido regresse simplesmente à política externa intervencionista ou à ortodoxia económica associada às administrações de George W. Bush e Ronald Reagan. A expectativa é que posições como a defesa de uma política migratória mais restritiva e o cepticismo em relação ao comércio livre continuem presentes, acompanhadas por uma mensagem populista dirigida aos trabalhadores.
O debate ocorre, contudo, num momento politicamente difícil para Trump. A sua aprovação caiu para níveis recorde, num contexto marcado pelo descontentamento com a guerra no Irão e pelo aumento do custo de vida. Para alguns dirigentes, activistas e académicos conservadores, estes factores poderão obrigar o partido a rever algumas prioridades, mesmo que a estrutura central do trumpismo permaneça.
A própria realização da convenção em Dallas demonstra a importância que Trump continua a ter para a estratégia republicana. O encontro, realizado pela primeira vez como convenção nacional dedicada a eleições intercalares, pretende mobilizar a base do partido antes da votação de Novembro.
Mas a concentração da iniciativa em torno de Trump também cria um problema de sucessão. Enquanto o partido procura transformar a popularidade do Presidente junto da base eleitoral em votos para candidatos ao Congresso, dirigentes e potenciais sucessores precisam de preparar uma identidade política capaz de sobreviver à sua ausência.





