Banco Mundial defende adopção da IA para acelerar crescimento económico e coloca Angola entre os países menos preparados

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Instituição considera que a inteligência artificial pode permitir às economias emergentes alcançar em dez anos progressos que antes demorariam um século
Relatório alerta para défices de infra-estruturas, competências digitais e conectividade em Angola

O Banco Mundial (BM) defendeu a adopção acelerada da inteligência artificial (IA) como instrumento para impulsionar o crescimento económico dos países em desenvolvimento, considerando que a tecnologia poderá permitir alcançar, em apenas uma década, avanços que anteriormente exigiriam cerca de um século. No relatório The Promise of Artificial Intelligence, a instituição identifica Angola entre os países com menor nível de preparação para beneficiar desta transformação tecnológica.

Segundo o estudo, as economias em desenvolvimento atravessam actualmente o período de crescimento médio mais fraco das últimas três décadas. Neste contexto, a IA é apresentada como uma oportunidade para aumentar a produtividade, melhorar os serviços públicos e acelerar o desenvolvimento económico, desde que os países invistam em infra-estruturas digitais, qualificação profissional e acesso à Internet.

O Banco Mundial recomenda que os países de rendimento baixo e médio adoptem uma estratégia baseada em três etapas: adoptar, adaptar e, apenas numa fase posterior, desenvolver soluções próprias de inteligência artificial. Em vez de tentar competir directamente na criação de modelos de grande dimensão, a instituição aconselha a utilização de tecnologias já existentes, ajustadas às necessidades locais.

No caso de Angola, o relatório aponta limitações ao nível da conectividade digital, da disponibilidade de electricidade, das competências tecnológicas e da capacidade institucional para integrar a inteligência artificial em sectores como a educação, a saúde, a agricultura e a administração pública. Estes factores colocam o país entre os mercados com pior desempenho no índice de preparação para a adopção da IA.

Apesar dessas limitações, o Banco Mundial considera que Angola poderá retirar benefícios significativos da utilização de aplicações de IA em áreas onde existe escassez de profissionais qualificados. Entre os exemplos apontados estão sistemas de apoio ao diagnóstico médico, plataformas educativas, serviços públicos digitais e ferramentas de apoio à agricultura, capazes de aumentar a produtividade sem substituir de forma massiva a mão-de-obra.

O economista-chefe do Grupo Banco Mundial, Indermit Gill, afirma que a inteligência artificial representa uma “tábua de salvação” para as economias em desenvolvimento, mas alerta que o sucesso dependerá da rapidez com que os governos criem condições para a sua adopção. Entre essas condições destacam-se o reforço das infra-estruturas digitais, o investimento em capital humano, a melhoria da governação e a criação de mecanismos de protecção contra riscos associados à tecnologia.

O relatório estima ainda que a inteligência artificial poderá elevar significativamente a produtividade dos trabalhadores nas economias emergentes, contribuindo para acelerar o crescimento económico sem provocar níveis elevados de automatização do emprego. Ainda assim, o Banco Mundial alerta para riscos como o agravamento das desigualdades, a concentração tecnológica e a dependência de um número reduzido de fornecedores internacionais, recomendando a adopção de salvaguardas regulatórias adequadas.

Para o Banco Mundial, a inteligência artificial poderá tornar-se um dos principais motores de desenvolvimento das economias emergentes. No entanto, Angola terá de ultrapassar desafios estruturais relacionados com infra-estruturas, competências digitais e governação para transformar esse potencial em crescimento económico sustentável.

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