Standard Bank processa a primeira transacção angolana pelo sistema chinês de pagamentos

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Operação foi realizada a 8 de Julho, dois dias depois de entrar em vigor a directiva do BNA que admitiu o yuan nas reservas obrigatórias

O Standard Bank de Angola processou a primeira transacção realizada no país através do sistema chinês de pagamentos interbancários transfronteiriços, anunciou o banco.

A operação foi executada a 8 de Julho através do CIPS, sigla inglesa de Cross-Border Interbank Payment System, a principal infra-estrutura chinesa de compensação e liquidação de pagamentos transfronteiriços em renminbi. A instituição não divulgou o valor da transacção, a contraparte envolvida nem o sector de actividade do cliente, elementos que permitiriam aferir a dimensão efectiva do marco anunciado. Entre a realização da operação e a sua comunicação pública decorreram três semanas.

A data não é indiferente. A Directiva n.º 05/2026 do Departamento de Mercados do Banco Nacional de Angola, com data de 2 de Julho, entrou em vigor a 6 do mesmo mês, revogando a anterior e admitindo o renminbi como quarta moeda elegível para a constituição das reservas obrigatórias em moeda estrangeira, a par do dólar norte-americano, do euro e do rand sul-africano. A transacção ocorreu dois dias depois.

O presidente executivo do Standard Bank de Angola, Luís Teles, considerou que a operação assinala o início da utilização directa de uma das principais infra-estruturas financeiras mundiais e sustentou que a medida do regulador “contribui para reforçar a crescente utilização do Yuan na economia angolana e cria condições para que os clientes do Standard Bank de Angola operem de forma directa e eficiente nesta moeda”. Segundo o banco, os clientes com relações comerciais internacionais passam a beneficiar de maior eficiência no processamento de pagamentos em renminbi e de maior rapidez e previsibilidade na liquidação de operações.

A capacidade não é, contudo, uma conquista isolada da operação angolana. Resulta da integração do Standard Bank Group no CIPS, autorizada pelo Banco Popular da China, que fez do grupo sul-africano o primeiro banco africano com ligação directa àquela infra-estrutura. A licença foi concedida em Junho de 2025, no Fórum de Lujiazui, em Xangai, e o serviço entrou em operação a 20 de Novembro do mesmo ano — oito meses antes da transacção angolana. Angola integra o conjunto de mercados para onde o grupo estendeu o acesso, a par do Gana, do Quénia, do Lesoto e da Tanzânia.

Os volumes processados pelo grupo dão medida da procura. Entre Novembro de 2025 e Fevereiro de 2026, o Standard Bank liquidou 3,39 mil milhões de renminbi, cerca de 500 milhões de dólares, e o montante acumulado ultrapassou entretanto mil milhões de dólares. No final de Junho de 2026, o Banco Popular da China autorizou o grupo e o Industrial and Commercial Bank of China a operar conjuntamente como banco de compensação de renminbi em 19 mercados africanos.

O pioneirismo em Angola tem, porém, horizonte curto. O Banco de Fomento Angola pretende tornar-se participante directo do CIPS no próximo ano, segundo fonte da instituição citada pela Reuters em finais de Julho, e o Banco Angolano de Investimentos terá já iniciado o processo. Os dois figuram, juntamente com o Standard Bank de Angola, entre os seis bancos classificados pelo banco central como instituições de importância sistémica.

O avanço do renminbi no sistema financeiro angolano exige, ainda assim, proporção. A moeda chinesa representava 1,99 por cento das reservas cambiais mundiais identificadas no primeiro trimestre de 2026, segundo o Fundo Monetário Internacional, contra 1,95 por cento no trimestre anterior. Trata-se de uma diversificação gradual das moedas de liquidação e de reserva, e não de uma substituição do dólar, que continua dominante nas transacções angolanas. As trocas comerciais entre Angola e a China superaram 20 mil milhões de dólares em 2025, com uma desaceleração de 16 por cento face ao ano anterior, segundo o presidente da Câmara de Comércio Angola-China, Luís Cupenala.

O que é o CIPS

O Cross-Border Interbank Payment System foi criado pelo Banco Popular da China para a compensação e liquidação de pagamentos transfronteiriços denominados em renminbi, funcionando como alternativa e complemento à rede SWIFT nas operações naquela moeda. Liga mais de 1.600 instituições financeiras em cerca de 120 países e distingue entre participantes directos, com ligação própria à infra-estrutura, e participantes indirectos, que acedem através de terceiros. O Standard Bank Group e o Afreximbank aderiram como participantes directos em Junho de 2025.

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