Centenas de milhares de franceses participaram numa jornada nacional de manifestações e greves contra o custo de vida, os salários e a deterioração dos serviços públicos, aumentando a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron.A mobilização de 5 de Novembro decorreu sob forte vigilância policial, após os distúrbios de 17 de Outubro terem provocado destruição em estabelecimentos comerciais e edifícios públicos. O cenário político permanece tenso a cinco meses das eleições presidenciais.
Mobilização nacional desafia o Governo francês
A França voltou a ser palco de uma ampla mobilização social, com trabalhadores, estudantes, pensionistas e sindicatos a saírem às ruas para contestar as condições económicas e sociais do país. As manifestações foram acompanhadas por uma greve de um dia no sector público, numa nova prova para o Governo liderado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu e para o presidente Emmanuel Macron.
A jornada de protestos foi convocada por organizações sindicais, incluindo a Confederação Geral do Trabalho (CGT), e contou com o apoio de grupos estudantis. Os participantes exigiram melhores salários, medidas contra o aumento do custo de vida e maior investimento em serviços públicos, particularmente na educação.
A mobilização ocorreu depois de várias semanas de manifestações que provocaram uma das mais graves ondas de agitação social registadas em França nos últimos anos.
As autoridades procuraram impedir que os protestos se transformassem novamente em confrontos violentos, como aconteceu a 17 de Outubro, quando motins e actos de vandalismo surpreenderam as forças de segurança e deixaram danos em lojas e edifícios públicos.
Governo mobiliza cerca de 70 mil agentes
Perante o risco de novos episódios de violência, as autoridades francesas mobilizaram aproximadamente 70 mil agentes policiais em todo o território nacional.
Os serviços de inteligência interna estimavam inicialmente a participação de 500 mil a 700 mil pessoas nas manifestações realizadas fora de Paris. A dimensão prevista da mobilização levou o Governo a reforçar a vigilância e a adoptar medidas preventivas em várias cidades.
A porta-voz do Governo, Maud Bregeon, afirmou que as autoridades estavam particularmente atentas, sublinhando que não pretendiam permitir uma repetição dos acontecimentos de 17 de Outubro.
O Executivo também defendeu a actuação das forças policiais, assegurando que eventuais abusos seriam investigados.
Apesar do dispositivo de segurança, foram registados confrontos pontuais entre manifestantes e agentes da polícia, nomeadamente em Paris e Lyon. As forças de segurança utilizaram gás lacrimogéneo para dispersar alguns grupos.





