A Revista Outside recebeu informações que atribuem a indivíduos não identificados a captura de golfinhos e tubarões e o corte de vegetação na ilha, no Namibe. O ministério não respondeu ao pedido de esclarecimento. A zona foi apontada para acolher a primeira área marinha protegida do país.
A Revista Outside recebeu uma denúncia segundo a qual indivíduos não identificados estarão a capturar e a matar golfinhos e tubarões na Ilha dos Tigres, na província do Namibe, e a usar a ilha para secar pescado. A mesma denúncia refere o corte de vegetação, que seria vendida a turistas que visitam a ilha. As informações não foram confirmadas de forma independente, nem quanto à autoria nem quanto à dimensão dos alegados danos.
A Outside enviou um pedido de esclarecimento ao Ministério do Ambiente, que não respondeu até à publicação desta peça. As perguntas incluíam a existência de registos oficiais de captura de golfinhos e tubarões na zona, as acções de fiscalização realizadas e o estado da área marinha protegida prevista para a região.
Uma zona de valor ecológico reconhecido
A Ilha dos Tigres é a maior ilha de Angola, com cerca de 98 quilómetros quadrados. Era uma península até 1962, quando o mar rompeu o istmo que a ligava ao continente. A antiga vila piscatória de São Martinho dos Tigres ficou isolada e foi abandonada.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) apontou a Baía dos Tigres entre as razões para a escolha do Namibe, a província seleccionada para a primeira área protegida marinha de Angola, junto ao Parque Nacional do Iona. Entre as espécies que o PNUD associa à zona estão o golfinho-corcunda-do-Atlântico, o golfinho de Heaviside, o tubarão-martelo-recortado, a tartaruga-oliva, a baleia-azul e a baleia-jubarte, além de pelicanos e flamingos.
A área marinha prometida
O Presidente João Lourenço anunciou em Janeiro de 2025 que o país teria nesse ano a primeira área de conservação marinha, na costa do Namibe. O anúncio foi feito na abertura da Conferência Internacional sobre Biodiversidade e Áreas de Conservação, em Luanda. A Outside perguntou ao Ministério do Ambiente se a área foi formalmente criada e que meios de fiscalização existem no terreno, mas não obteve resposta.











