Senta-se muito perto da televisão, encosta o telemóvel ao rosto, franze os olhos para ver ao longe, queixa-se de dores de cabeça ao fim do dia. Os sinais da miopia infantil são indirectos e confundem-se facilmente com falta de atenção. Sem detecção, o grau agrava-se ano após ano ao longo do crescimento.
Uma criança míope raramente se queixa de ver mal. Nunca viu de outra maneira e assume que o mundo é assim. Cabe aos adultos reparar — e os sinais que denunciam o problema são, quase sempre, comportamentais. No campo de jogos, a criança parece descoordenada e desinteressada, quando o que se passa é que não vê a bola a tempo.
“Uma criança não se queixa de ver mal, porque nunca viu de outra maneira. Quem tem de reparar são os adultos — quando ela encosta o rosto ao telemóvel, quando franze os olhos para ver ao longe, quando tem dores de cabeça ao fim do dia. Muitas vezes é rotulada de distraída, e o problema é outro: não está a ver”, afirma Ita Lourenço Carvalho, Directora Técnica da NOA Ópticas, licenciada em Ortóptica e Ciências da Visão pela Escola Superior de Saúde de Lisboa.
Quando não é detectada, a miopia agrava-se ano após ano ao longo do crescimento, e graus elevados estão associados a maior risco de complicações oculares na idade adulta. A detecção precoce é, por isso, determinante — e é também o elo mais frágil da cadeia.
Em Angola não existem dados públicos consolidados sobre a prevalência de erros refractivos em idade pediátrica, o que dificulta o dimensionamento do problema e a definição de políticas de rastreio em meio escolar.
“O rastreio precoce é o passo que continua a faltar. Uma avaliação visual a uma criança não demora, não é invasiva e pode alterar o percurso da sua visão até à idade adulta. O que pedimos aos pais é simples: não esperem que a criança se queixe, porque ela não o vai fazer. Basta levá-la a observar”, acrescenta a Directora Técnica da NOA Ópticas.
Há ainda uma distinção pouco conhecida do público. Corrigir a visão de uma criança míope e travar a velocidade a que essa miopia se agrava são duas coisas diferentes: umas lentes convencionais devolvem nitidez a quem não vê ao longe, mas não actuam sobre a progressão do grau. Existem hoje soluções concebidas especificamente para esse segundo problema.
Uma delas é a MiYOSMART, da Hoya — multinacional japonesa que actua no sector através da Hoya Vision Care, divisão de lentes oftálmicas cujo portefólio inclui as marcas SEIKO e PENTAX. A lente assenta na tecnologia D.I.M.S. — Defocus Incorporated Multiple Segments —, desenvolvida em 2014 em cooperação com a Universidade Politécnica de Hong Kong, e combina a correcção óptica em toda a superfície com uma zona de tratamento em anel destinada a abrandar a progressão. A tecnologia foi distinguida em 2018 na Exposição Internacional de Invenções de Genebra e já foram vendidas mais de 15 milhões destas lentes em mais de 50 países.
A matéria foi debatida este mês em Luanda, no 2.º Congresso do Instituto Oftalmológico Nacional de Angola, subordinado ao tema “Inovação, Tecnologia e Acesso à Saúde Ocular”, onde a NOA Ópticas participou acompanhada por dois quadros da Hoya Vision Care Portugal, deslocados de Lisboa para o encontro.
“A miopia deixou de ser encarada apenas como um defeito visual que se corrige com uma lente. Sabemos hoje que é uma condição que evolui ao longo da infância e da adolescência, e que essa evolução pode ser abrandada. Essa mudança de paradigma — de corrigir para controlar — é o que temos vindo a trabalhar com os profissionais do sector. A tecnologia só chega às crianças se quem as observa souber que ela existe, e é por isso que estar presente num congresso como este importa”, refere Simão Pedro Silva, Eye Care Specialist da Hoya Vision Care Portugal.
A NOA Ópticas opera uma rede de onze estabelecimentos na província de Luanda, com serviços de optometria, oftalmologia e contactologia, e mantém protocolos com entidades de saúde e seguradoras. A direcção técnica é assegurada por Ita Lourenço Carvalho e a direcção comercial e de operações por João Abel Dias.





