Drone russo atingiu uma estação de serviço na capital ucraniana e outros armazéns foram alvo de ataques, poucas horas depois de Donald Trump anunciar um alegado acordo para suspender ataques contra infra-estruturas energéticas, Kyiv mantém reservas sobre a trégua e exige garantias de que Moscovo cumprirá qualquer compromisso de interrupção dos ataques.
Uma estação de serviço foi atingida por um drone russo na madrugada desta terça-feira, 15 de Setembro, em Kyiv, segundo o presidente da Câmara da capital ucraniana, Vitali Klitschko. O autarca informou também que instalações de armazenamento foram atingidas noutra zona da cidade. Um jornalista da Reuters no local ouviu uma explosão.
O ataque ocorreu um dia depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter afirmado que Rússia e Ucrânia tinham concordado em deixar de atacar as respectivas infra-estruturas energéticas. A ocorrência em Kyiv coloca, contudo, em causa a rapidez com que esse entendimento poderá produzir efeitos no terreno.
Segundo autoridades ucranianas, a Rússia começou recentemente a atingir estações de serviço em Kyiv, ampliando o conjunto de instalações visadas durante a guerra. Nos últimos meses, cerca de 300 estações de serviço foram atingidas na Ucrânia, sobretudo em regiões próximas da linha da frente.
Ataques continuam dos dois lados
Enquanto Kyiv era atingida, autoridades russas relataram ataques ucranianos contra infra-estruturas no território russo. Um ataque com míssil danificou um armazém da empresa de comércio electrónico Ozon, na cidade portuária de Taganrog, enquanto outro ataque com drone atingiu uma instalação industrial na região de Samara, onde existem várias grandes refinarias de petróleo.
A Reuters não conseguiu verificar de forma independente, no momento da publicação, todos os relatos apresentados pelas autoridades russas e ucranianas. A Polónia também iniciou operações de aviação militar como medida preventiva durante os ataques, embora posteriormente tenha indicado que não houve violação do seu espaço aéreo.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou na segunda-feira que Kyiv está disposta a apoiar a proposta norte-americana de suspensão dos ataques contra instalações energéticas, mas apenas se Washington conseguir garantir que Moscovo está efectivamente preparada para cumprir o compromisso.
A questão energética ganhou peso adicional devido ao impacto dos ataques sobre a produção e distribuição de combustíveis. Na Rússia, ataques ucranianos contra refinarias reduziram a produção de gasóleo e contribuíram para restrições às exportações de combustíveis, num momento em que o mercado mundial já enfrenta outras perturbações no abastecimento.
O episódio de Kyiv deixa, assim, a trégua energética anunciada por Trump dependente da sua aplicação efectiva no terreno. Sem mecanismos de verificação e garantias entre as partes, o intervalo entre um anúncio político e a suspensão real dos ataques continua a ser uma das principais incertezas.





