Um novo incidente com um navio comercial no Estreito de Ormuz agrava os receios sobre a segurança do transporte marítimo e a continuidade do abastecimento mundial de petróleo, A tensão surge quando os fluxos pela principal rota petrolífera do Golfo já estão fortemente reduzidos e o preço do Brent permanece acima dos 100 dólares por barril.
Novos relatos de um ataque contra um navio no Estreito de Ormuz aumentaram, este domingo, a preocupação nos mercados sobre a segurança da navegação e o futuro dos fornecimentos de petróleo. A informação surge num momento em que a circulação de crude pela região já se encontra muito abaixo dos níveis anteriores ao conflito.
A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), entidade britânica que acompanha a segurança marítima na região, recebeu um alerta sobre um projéctil que atingiu uma embarcação no Estreito de Ormuz. O incidente ocorreu um dia depois de a Arábia Saudita anunciar o encerramento do seu oleoduto East-West, na sequência de um ataque com drones.
O Estreito de Ormuz é uma das principais vias de transporte energético do mundo. A escalada militar já provocou uma redução acentuada dos volumes que atravessam a passagem, contribuindo para uma pressão crescente sobre os mercados físicos de petróleo e derivados.
Arábia Saudita enfrenta nova ameaça
A paralisação do oleoduto saudita acrescenta uma segunda fonte de pressão sobre a oferta. A infraestrutura consegue transportar cerca de 4 milhões de barris por dia para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, volume equivalente a aproximadamente 4% da oferta mundial de petróleo.
Segundo compradores e operadores citados pela Reuters, a Arábia Saudita poderá esgotar em poucos dias o petróleo armazenado destinado à exportação caso o oleoduto não volte a funcionar. A capacidade de armazenamento em Yanbu permitiria manter as exportações durante apenas cinco a sete dias, segundo estimativas citadas pela agência.
A interrupção acontece num mercado que já enfrenta uma redução significativa da produção e dos fluxos de exportação do Golfo. A Reuters calcula que as exportações da região estão em cerca de dois terços dos níveis anteriores à guerra, apesar de alguns carregamentos continuarem a sair através de operações destinadas a evitar a detecção.
Petróleo acima dos 100 dólares
A combinação de ataques a navios, redução do tráfego em Ormuz e danos à infraestrutura energética saudita mantém o mercado sob forte pressão. O Brent fechou recentemente acima dos 100 dólares por barril, enquanto os preços dos combustíveis também atingiram níveis elevados.
O impacto ultrapassa o sector petrolífero. Uma interrupção prolongada do abastecimento pode aumentar os custos de transporte e produção e alimentar novas pressões inflacionistas em economias dependentes de importações de energia. A Reuters relata que o choque já está a afectar mercados financeiros e expectativas económicas.
Ao mesmo tempo, estão previstas conversações entre o Irão e países do Golfo em Omã para discutir a segurança da navegação. No entanto, um entendimento recente entre Irão e Omã não prevê uma reabertura imediata do Estreito de Ormuz, ficando qualquer normalização dependente das condições apresentadas por Teerão aos Estados Unidos.
A situação coloca o mercado mundial perante um risco adicional: uma interrupção prolongada de Ormuz, combinada com problemas nas rotas alternativas e na infraestrutura petrolífera saudita, poderá transformar uma crise regional num choque global de oferta de energia.





