Plano Director do Gás prevê expansão faseada da rede a partir de Cabinda, Soyo e Zaire, com o consumo interno a passar de cerca de 30 para 500 milhões de pés cúbicos por dia. Agência aponta ainda seis mil milhões de dólares no downstream e 90 mil milhões de investimento privado no upstream, a mobilizar em 25 a 30 anos
Angola poderá necessitar de cerca de 70 mil milhões de dólares em infra-estruturas de transporte e distribuição de gás até 2050, segundo o plano apresentado na terça-feira pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis.
A projecção acompanha o crescimento previsto da procura interna, que poderá passar de cerca de 30 milhões de pés cúbicos por dia, em 2025, para 500 milhões em 2050 — uma multiplicação por dezasseis ao longo de 25 anos. O valor anunciado para o midstream corresponde a uma média de 2,8 mil milhões de dólares por ano nesse período.
O chefe de departamento da Direcção de Infra-estruturas e Gás Natural da ANPG, Saleno Sebastião, explicou que o Plano Director do Gás assenta em quatro pilares — recursos de gás natural, infra-estruturas, mercado e enquadramento regulatório — e procura ligar a produção aos diferentes mercados de consumo.
A implementação decorre em três fases. A primeira concentra-se em Cabinda, Soyo e Zaire, aproveitando activos como o Angola LNG e outras instalações de tratamento. A segunda abrange Luanda, Cuanza-Sul e Benguela, com infra-estruturas de processamento, exportação de condensados e ligações ao Corredor do Lobito. A terceira avança para sul, incluindo o Namibe, onde são consideradas soluções de regaseificação para responder à procura da mineração, da logística e de outras actividades industriais.
Entre os mercados que poderão sustentar o aumento do consumo, a estratégia identifica a petroquímica, a produção de fertilizantes, a geração de electricidade, a siderurgia e os transportes. O país importa actualmente cerca de 140 mil toneladas de fertilizantes por ano, e a agência analisa a conversão de centrais eléctricas de gasóleo para gás natural. Além dos 70 mil milhões associados ao midstream, a ANPG aponta cerca de seis mil milhões de dólares no downstream e processamento de gás e 90 mil milhões de investimento privado no upstream, a mobilizar ao longo dos próximos 25 a 30 anos.
O dia de pré-conferência abordou também a segurança do abastecimento de combustíveis e a refinação. As operações das refinarias da África Subsariana deverão atingir cerca de 1,3 milhões de barris por dia em 2026, mantendo-se um défice regional estimado em 65 milhões de toneladas de produtos refinados.
Foi ainda actualizado o ponto de situação do projecto Kaminho, cuja unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência entrou na segunda e última fase de doca seca, na China. O projecto atingiu 50 por cento de execução, representa um investimento de cerca de seis mil milhões de dólares e prevê a deslocação da unidade para Angola em 2027, com início de produção em 2028. A unidade terá capacidade para produzir aproximadamente 70 mil barris por dia e armazenar cerca de 1,8 milhões de barris.
A sétima edição da Angola Oil & Gas decorre hoje e amanhã no Centro de Convenções de Talatona, sob o lema “Investir no Futuro de Angola”, com uma agenda centrada no investimento, produção, financiamento e exploração em águas profundas. O programa prevê momentos de assinatura de acordos e sessões sobre o papel das instituições financeiras, o conteúdo local, o acesso das empresas nacionais ao financiamento e o desmantelamento de activos offshore.





