Operação com componente social é a primeira do banco no sector privado.
O Standard Bank de Angola concedeu à ANTOSC um financiamento de médio prazo no valor de 2.450 milhões de kwanzas, destinado a apoiar a expansão da rede da operadora em 2025, através da implantação de torres de telecomunicações adicionais em todo o território nacional. A operação, concluída pela área de Corporate and Investment Banking, consta do Relatório de Sustentabilidade 2025 da instituição.
A linha de crédito foi estruturada como Empréstimo Social e é apresentada pelo banco como a primeira iniciativa deste tipo na plataforma Debt Financing Solutions em Angola e nos mercados africanos de língua portuguesa. Segundo o documento, a estrutura adoptada permitiu condições comerciais ajustadas, em reconhecimento do contributo social associado à expansão da infra-estrutura de telecomunicações. A operação está classificada na categoria Social da Framework de Finanças Sustentáveis do Grupo Standard Bank.
O carácter inédito da operação é delimitado no próprio relatório: trata-se do primeiro financiamento com componente de financiamento sustentável realizado pelo banco no sector privado. O mesmo parágrafo acrescenta que a instituição já havia financiado dois projectos sustentáveis de entidades públicas, na ordem dos 100 mil milhões de kwanzas.
O financiamento enquadra-se no pilar Prosperidade e Crescimento Sustentável da estratégia do banco, no eixo Infra-estruturas, que tem como objectivo declarado financiar obras novas e modernizar infra-estruturas consideradas essenciais ao desenvolvimento económico e social do país.
Energia e emissões
Em matéria ambiental, o relatório apresenta os valores absolutos que sustentam as variações reportadas. O consumo total de energia fixou-se em 15.582 gigajoules em 2025, contra 18.969 gigajoules em 2024, uma redução de aproximadamente 18 por cento. As emissões de gases com efeito de estufa totalizaram 1.071 toneladas de dióxido de carbono equivalente, face a 1.235 toneladas no ano anterior, uma diminuição de cerca de 13 por cento.
A composição desses valores revela trajectórias opostas. As emissões directas, de Âmbito 1, associadas ao consumo de combustíveis em frota e geradores, recuaram cerca de 40 por cento, para 466,3 toneladas. As emissões indirectas, de Âmbito 2, ligadas à electricidade adquirida, subiram cerca de 32 por cento, para 605,0 toneladas. O banco atribui este aumento ao alargamento do perímetro de reporte, que passou a incluir duas novas agências — o que significa que a comparação entre os dois exercícios não incide sobre um universo idêntico de instalações.
O relatório reconhece igualmente que não existem metas intermédias formalmente definidas, que a meta climática adoptada em Angola não está sujeita a validação externa por entidades independentes e que o ano-base para medição do progresso se encontra ainda em processo de harmonização com as orientações do grupo. A meta de neutralidade carbónica está fixada para 2040 e aplica-se às emissões operacionais dos edifícios existentes. As emissões financiadas, associadas à carteira de crédito, permanecem por medir, estando o desenvolvimento de metodologias e métricas identificado como trabalho a realizar no curto e médio prazo.
Reporte e cobertura
O documento corresponde ao terceiro exercício consecutivo de reporte de sustentabilidade do banco e cobre o ano civil de 2025. Mantém o alinhamento com as normas da Global Reporting Initiative e assinala o início de um processo faseado e exploratório de incorporação dos princípios das normas IFRS S1 e IFRS S2, emitidas pelo International Sustainability Standards Board, cuja adopção pelas instituições financeiras angolanas decorre, nesta fase, de opção voluntária.
O Standard Bank de Angola opera com 16 agências, 62 agentes bancários, 151 caixas automáticas, três centros de empresa, quatro postos de atendimento e três suites private, num total de 26 canais físicos distribuídos por oito províncias: Cabinda, Luanda, Benguela, Huíla, Huambo, Namibe, Malanje e Uíge.
Nota de actualização. Esta peça substitui a versão publicada a 7 de Agosto de 2026 com o título “Standard Bank Angola anuncia primeiro financiamento social privado sem revelar montante nem beneficiário”, que se baseava no comunicado de imprensa distribuído pelo banco. Após acesso ao Relatório de Sustentabilidade 2025 na íntegra, confirmou-se que o documento divulga o montante, o beneficiário, o sector de actividade e o âmbito do carácter inédito da operação, bem como os valores absolutos e o ano de referência dos indicadores ambientais, elementos ausentes do comunicado. A OUTSIDE corrige em conformidade.





