Reforço de 66 unidades procura aumentar capacidades europeias de defesa, segurança e resposta a emergências
Primeiros lançamentos estão previstos para 2029, com serviços a serem disponibilizados no mesmo ano
A Comissão Europeia concluiu os planos detalhados para o desenvolvimento do IRIS², o sistema europeu soberano de comunicações por satélite, elevando a dimensão prevista da constelação para 348 satélites. O projecto entra agora numa fase de produção após a conclusão das negociações iniciadas em Janeiro, que definiram os custos de fabrico, a infra-estrutura terrestre e os serviços de lançamento.
A nova configuração representa um aumento de 66 satélites em relação ao plano original. Segundo a informação divulgada pela Agência Espacial Europeia (ESA), o reforço pretende melhorar a capacidade operacional da rede em áreas como defesa, segurança e resposta a situações de emergência dentro do espaço europeu.
O calendário actualmente definido prevê que os primeiros satélites sejam lançados em 2029, com a disponibilização dos primeiros serviços prevista ainda durante o mesmo ano. O acordo estabelecido com os fabricantes europeus inclui preços-alvo para cada unidade e define igualmente os investimentos necessários por parte dos operadores privados envolvidos no projecto.
Ao contrário de constelações comerciais como a Starlink, da SpaceX, o IRIS² não foi concebido inicialmente para fornecer acesso directo à Internet aos consumidores. A prioridade será a utilização governamental pelos Estados-membros da União Europeia e por parceiros estratégicos, incluindo Noruega e Islândia.
Entre as aplicações previstas estão a vigilância das fronteiras, comunicações para missões humanitárias e resposta a situações críticas em que as redes terrestres estejam indisponíveis ou tenham sido danificadas. A longo prazo, a infra-estrutura poderá também ser utilizada por cidadãos e empresas em regiões onde as redes convencionais apresentem limitações de cobertura ou fiabilidade.
A dimensão da constelação continua, contudo, bastante inferior à da Starlink, que já ultrapassa 10.000 satélites activos em órbita terrestre baixa. A comparação reflecte também objectivos diferentes: enquanto a rede da SpaceX procura oferecer conectividade comercial em larga escala, o IRIS² está orientado sobretudo para soberania tecnológica, segurança e autonomia estratégica europeia.
A expansão ocorre num contexto em que a União Europeia procura reduzir a dependência de infra-estruturas espaciais controladas por empresas estrangeiras e garantir canais próprios de comunicação para operações governamentais e de segurança. O projecto pretende, assim, complementar outras iniciativas europeias no domínio espacial e reforçar a capacidade de resposta do bloco perante interrupções das infra-estruturas terrestres.
Com 348 satélites previstos, o IRIS² representa uma das principais apostas europeias para criar uma infra-estrutura espacial soberana, com prioridade inicial para defesa, segurança e serviços públicos críticos.





