Taxa de emprego cresce 6,4% no segundo trimestre

Data:

Mercado de trabalho regista melhoria entre Abril e Junho, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística
Evolução ocorre num período marcado simultaneamente pelo crescimento do emprego e pela persistência de desafios estruturais no mercado laboral

A taxa de emprego em Angola registou um crescimento de 6,4% no segundo trimestre de 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados pelo Jornal de Economia & Finanças. A evolução corresponde ao período entre Abril e Junho e indica um aumento da população ocupada no país.

O crescimento da taxa de emprego representa um sinal positivo para o mercado de trabalho, uma vez que reflecte uma maior participação da população em actividades económicas. O indicador deve, contudo, ser analisado conjuntamente com a evolução da taxa de desemprego, da população activa e da qualidade dos postos de trabalho criados.

O aumento do emprego ocorre num contexto em que Angola procura acelerar a diversificação económica e reduzir a dependência do sector petrolífero. Actividades como agricultura, comércio, construção, indústria e serviços constituem algumas das áreas com maior potencial para absorver novos trabalhadores.

A evolução do indicador também deve ser relacionada com a elevada dimensão do sector informal no mercado laboral angolano. Um aumento do número de pessoas ocupadas não significa necessariamente que todos os novos postos de trabalho sejam formais, estáveis ou acompanhados por protecção social.

O desempenho do emprego é particularmente relevante perante o crescimento contínuo da população em idade activa. A entrada de novos trabalhadores no mercado exige a criação de postos de trabalho a um ritmo suficiente para evitar que o aumento da população activa se traduza numa maior pressão sobre o desemprego.

A criação de emprego produtivo depende, entre outros factores, da capacidade de investimento das empresas, do acesso ao financiamento, da actividade económica e das condições de funcionamento dos diferentes sectores. O crescimento sustentado do emprego requer também aumento da produtividade e maior capacidade de absorção de mão-de-obra pelas empresas.

Os dados do segundo trimestre surgem depois de indicadores que apontaram para uma evolução menos favorável do desemprego no mesmo período. A leitura conjunta dos dois indicadores é importante para compreender se o crescimento do emprego está a ser suficiente para acompanhar a expansão da população activa.

Para a economia angolana, a qualidade do emprego será igualmente determinante. A passagem de actividades de subsistência ou de baixa produtividade para empregos formais e com maior rendimento pode produzir efeitos mais duradouros sobre o consumo das famílias, a arrecadação fiscal e a segurança social.

O crescimento de 6,4% da taxa de emprego no segundo trimestre indica uma melhoria da absorção de mão-de-obra, mas a sua relevância económica dependerá da formalização, produtividade e sustentabilidade dos postos de trabalho criados.

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