Demis Hassabis, a mente que quer ensinar a inteligência artificial a descobrir o futuro

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Demis Hassabis nasceu em Londres, em 1976, filho de pai cipriota-grego e mãe sino-singapurense. Desde muito cedo, a sua trajetória foi marcada por uma combinação pouco comum de ciência, jogos, criatividade e curiosidade sobre a inteligência humana. Aos quatro anos, depois de receber um computador, começou a explorar programação. Aos oito, já desenvolvia jogos. Mas por trás desse fascínio existia uma pergunta muito maior: o que é inteligência e será possível reproduzi-la? Aos 13 anos, tornou-se mestre de xadrez e, ainda jovem, começou a aproximar mundos que normalmente permaneciam separados: computação, matemática, neurociência, jogos e aprendizagem. Estudou Ciência da Computação em Cambridge, trabalhou na indústria de videojogos e posteriormente dedicou-se à neurociência cognitiva, procurando compreender como o cérebro humano aprende, imagina, memoriza e resolve problemas.

É precisamente aqui que nasce a causa que orientaria a sua entrada na inteligência artificial. Hassabis não se interessava apenas por construir máquinas capazes de executar tarefas humanas. Queria compreender a própria inteligência para, através dela, criar sistemas capazes de ampliar o conhecimento humano.

Em 2010, cofundou a DeepMind com Shane Legg e Mustafa Suleyman. A empresa nasceu com uma ambição que ultrapassava o desenvolvimento de produtos tecnológicos: construir uma inteligência artificial de propósito geral e utilizá-la para compreender e resolver alguns dos problemas mais complexos da humanidade. Em 2014, a DeepMind foi adquirida pela Google, dando à sua investigação acesso a recursos que permitiriam acelerar essa visão.

O ponto de inflexão mundial veio com sistemas como o AlphaGo, que demonstrou capacidades consideradas extraordinárias num dos jogos mais complexos criados pelo ser humano, e posteriormente com o AlphaFold, que revolucionou a previsão da estrutura das proteínas e abriu novas possibilidades para a biologia e a descoberta científica. Em 2024, o trabalho relacionado com AlphaFold foi reconhecido com o Prémio Nobel da Química, atribuído a Hassabis e John Jumper pela previsão computacional da estrutura das proteínas.

É aqui que a história de Hassabis ganha uma dimensão diferente daquela que normalmente domina o discurso sobre IA. A sua ambição não começou com a pergunta “como podemos fazer máquinas trabalhar por nós?”, mas com uma pergunta muito mais profunda: “o que poderíamos descobrir se tivéssemos uma nova forma de inteligência?”

É precisamente aqui que surge uma questão essencial para a nova era da IA: quanto mais poderosa se torna a tecnologia, mais estratégico se torna preservar a inteligência humana. A verdadeira evolução não está em substituir capacidades, mas em ampliá-las sem perder autonomia, memória e discernimento.

Três estratégias para usar a IA sem deixar de pensar por si próprio:

1. Memorizar antes de pesquisar: Uma das formas mais discretas de dependência começa quando deixamos de tentar lembrar porque sabemos que podemos perguntar à máquina. Para preservar memória e raciocínio, determinadas informações devem continuar a ser aprendidas sem assistência tecnológica. Ler um livro e conseguir explicar as ideias sem consultar a IA. Memorizar nomes, conceitos, fórmulas, acontecimentos e vocabulário. Fazer cálculos simples mentalmente. Escrever primeiro e só depois utilizar a IA para aperfeiçoar.
A IA pode ser a segunda memória. Não deve tornar-se a primeira.

2. Pensar antes de pedir uma resposta: O erro não está em utilizar IA para resolver um problema. Está em entregar-lhe o problema antes de desenvolver a própria hipótese. Antes de consultar a IA, escrever a própria análise, desenhar uma estratégia, tomar uma decisão ou tentar encontrar uma solução. Depois, utilizar a tecnologia para questionar, comparar, identificar pontos cegos e ampliar perspectivas. Isso cria uma relação muito mais poderosa: o ser humano pensa, a IA desafia.
Em vez de perguntar “qual é a resposta?”, começar por perguntar a si próprio “o que penso que seja a resposta e porquê?”

l3. Manter experiências que não podem ser automatizadas: Nem toda aprendizagem deve ser mediada por um ecrã. Cozinhar sem seguir uma receita digital. Orientar-se ocasionalmente sem GPS. Conversar presencialmente. Ler no papel. Escrever à mão. Fazer exercício físico. Aprender uma língua falando com pessoas. Resolver um problema prático com as próprias mãos. Observar, experimentar, falhar e tentar novamente. São experiências aparentemente simples, mas desenvolvem memória, percepção, coordenação, criatividade, julgamento e inteligência emocional.
A tecnologia deve ampliar a experiência humana, não substituir a experiência que nos torna humanos.

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