Tecnologia pretende permitir verificar se uma imagem foi captada por um dispositivo Apple e preservar informação sobre a sua origem
Sistema poderá responder à crescente dificuldade em distinguir fotografias reais de conteúdos gerados ou manipulados por inteligência artificial
A Apple está a desenvolver uma ferramenta destinada a ajudar a comprovar a autenticidade de fotografias captadas por dispositivos iPhone, numa resposta ao crescimento de imagens produzidas ou alteradas com recurso a inteligência artificial. A tecnologia pretende fornecer mecanismos que permitam verificar a origem de uma fotografia e determinar se o ficheiro corresponde efectivamente a uma captura realizada por um equipamento Apple.
A iniciativa surge num contexto em que ferramentas de inteligência artificial generativa conseguem produzir imagens cada vez mais realistas. A distinção entre uma fotografia captada por uma câmara e uma imagem criada ou significativamente alterada por IA tornou-se, por isso, mais difícil para utilizadores e plataformas digitais.
O sistema em desenvolvimento deverá recorrer a informações associadas à própria captura da imagem. Esses dados poderão ajudar a demonstrar que uma fotografia foi registada por um determinado dispositivo e preservar elementos relacionados com o processo de criação do ficheiro.
A tecnologia poderá ser particularmente relevante para jornalistas, investigadores, plataformas digitais e utilizadores que necessitem de comprovar a origem de determinado conteúdo visual. Uma ferramenta deste tipo poderá acrescentar uma camada adicional de confiança quando uma fotografia é utilizada como evidência de um acontecimento.
A Apple já possui mecanismos destinados a associar informação de origem e edição a conteúdos digitais. A nova ferramenta surge, contudo, num contexto em que a proliferação de conteúdos sintéticos aumenta a necessidade de mecanismos de autenticação que acompanhem uma imagem desde o momento da captura.
A utilização destes sistemas não significa que uma fotografia possa ser considerada automaticamente verdadeira apenas por apresentar informações de origem. Uma imagem genuinamente captada por um iPhone pode posteriormente ser editada, recortada ou manipulada. A utilidade do sistema dependerá, por isso, da capacidade de preservar e verificar a cadeia de origem e as alterações realizadas.
O desenvolvimento da ferramenta também poderá contribuir para iniciativas mais amplas de combate à desinformação visual. À medida que os modelos de IA se tornam mais capazes de produzir conteúdos indistinguíveis de fotografias reais, mecanismos de proveniência digital poderão assumir um papel crescente na verificação de conteúdos publicados na Internet.
A Apple ainda não apresentou publicamente todos os detalhes da tecnologia nem indicou uma data definitiva para a sua disponibilização. As características do sistema poderão, por isso, sofrer alterações antes de uma eventual integração nos dispositivos e serviços da empresa.
A aposta da Apple reflecte uma mudança na luta contra imagens falsas: além de tentar identificar conteúdos gerados por inteligência artificial, a indústria tecnológica procura criar mecanismos capazes de provar a origem dos conteúdos genuínos desde o momento em que são captados.





