Administração projecta duplicar a movimentação de carga num horizonte de cinco a oito anos, com investimentos em digitalização e automatização
O Porto de Luanda prevê aumentar entre 20 e 25 por cento a capacidade de movimentação de carga a partir de 2027, anunciou a administração na FILDA.
A projecção foi apresentada a 23 de Julho, terceiro dia da 41.ª edição da Feira Internacional de Luanda, durante o painel “Porto de Luanda: Posição Estratégica como Hub Logístico Regional”, moderado por Márcia Costa, chefe do Departamento de Gestão das Concessões da empresa. Interveio o Administrador Executivo para a Área Comercial, Planeamento e Programação de Navios, Silvano Araújo, que situou a movimentação actual em cerca de 19 milhões de toneladas por ano e sustentou que, concluídos os investimentos em curso, será possível ir mais longe, afirmando que a empresa poderá “duplicar esta capacidade nos próximos cinco a oito anos e aproximar o Porto de Luanda dos principais portos da região”.
Aplicado ao valor apresentado, o aumento anunciado situaria a movimentação entre 22,8 e 23,75 milhões de toneladas anuais a partir de 2027, e a duplicação aproximá-la-ia dos 38 milhões. O número de partida diverge, porém, dos dados publicados pela própria empresa. Segundo o relatório divulgado no portal do Porto de Luanda, a infra-estrutura movimentou 17.792.089,82 toneladas em 2025, mais 7 por cento do que no ano anterior. A diferença pode resultar de uma projecção anualizada para 2026, sustentada no crescimento registado no primeiro trimestre, ou de uma referência à capacidade instalada e não ao movimento efectivo — distinção que o comunicado não esclarece, ao afirmar que o porto movimenta 19 milhões de toneladas e, na frase seguinte, ao fixar o objectivo de aumentar a capacidade actual.
Entre os investimentos apresentados figura a modernização da Janela Única Portuária, plataforma que concentra e partilha a informação necessária às operações de importação e exportação. O sistema permitirá que os dados sejam introduzidos uma única vez e consultados pelas diferentes entidades, reduzindo procedimentos e o tempo de permanência das mercadorias no recinto portuário.
A estratégia contempla ainda videovigilância e monitorização por circuito fechado de televisão, drones e inteligência artificial, além do sistema de controlo de tráfego marítimo VTS, destinado ao acompanhamento das embarcações e à programação das escalas. Prevê-se igualmente a articulação com os transportes rodoviário e ferroviário, de modo a permitir o seguimento da carga até ao destino.
No domínio energético, a nova subestação eléctrica foi inaugurada a 30 de Junho, juntamente com um edifício de inovação e desenvolvimento tecnológico de 15 pisos e um terminal de cabotagem. A infra-estrutura fornece energia aos terminais e deverá, numa fase posterior, alimentar também os navios atracados, reduzindo o recurso a geradores e motores auxiliares e as emissões associadas.
Pelo lado da concessionária do Terminal Multiusos, Patrick Andersson apresentou os investimentos em equipamento de movimentação de contentores, com destaque para novas gruas de cais, cuja chegada está prevista para 2027, e para 12 pórticos sobre pneus. Sustentou que os novos equipamentos chegarão preparados para operação manual, semiautomática e, futuramente, automática, e que, “com câmaras, sistemas digitais e inteligência artificial, estes equipamentos permitirão aumentar a produtividade e tornar as operações mais eficientes”. A DP World opera o Terminal Multiusos desde 1 de Março de 2021, ao abrigo de uma concessão de 20 anos, com um investimento inicial anunciado de 190 milhões de dólares, a que se somou um programa de ampliação de 210 milhões destinado a elevar a capacidade de 430 mil para 700 mil contentores equivalentes a vinte pés por ano.
Nem o comunicado nem a apresentação indicam o valor dos investimentos em curso na infra-estrutura portuária. Trata-se do segundo momento, em menos de dois meses, em que os custos do programa de modernização não são revelados: na inauguração de 30 de Junho, o Ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, considerou irrelevante a questão dos montantes envolvidos e recusou divulgá-los, tendo a administração do porto mantido idêntica reserva.
Os participantes no painel sustentaram que a combinação entre infra-estruturas modernas, equipamentos automatizados, digitalização dos processos e redução da burocracia poderá diminuir os custos portuários e contribuir para que as mercadorias cheguem ao mercado a preços mais competitivos.





