Reunião entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países em Pequim resultou num apelo a cessar-fogo imediato e negociações de paz com respaldo das Nações Unidas. Analistas ouvidos pela CNN apontam incentivos diplomáticos para Pequim se posicionar como mediador, mas duvidam da sua disposição para assumir compromissos materiais concretos
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da China e do Paquistão, Wang Yi e Ishaq Dar, reuniram-se em Pequim na terça-feira e emitiram uma declaração conjunta de cinco pontos apelando ao cessar-fogo imediato na guerra entre os Estados Unidos e o Irão, à abertura de negociações de paz “o mais rapidamente possível” e a uma solução duradoura com respaldo das Nações Unidas, revelou a CNN a 1 de Abril. A iniciativa inclui ainda apelos à protecção de civis, à garantia da segurança das vias marítimas e ao respeito pela soberania dos estados envolvidos.
A reunião, convocada a convite de Wang Yi, ocorre numa altura em que o Paquistão tem vindo a posicionar-se activamente como potencial mediador no conflito, aproveitando as suas relações estáveis com ambos os lados. Fontes paquistanesas oficiais disseram à CNN que Dar terá abordado a possibilidade de Pequim actuar como garante de um eventual acordo de paz. O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, realizou também reuniões na embaixada chinesa em Islamabade durante uma cimeira com a Turquia, a Arábia Saudita e o Egipto, realizada no início da semana, de acordo com a mesma fonte.
Sinais mistos do Irão
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse na terça-feira que o país estava disposto a cessar as hostilidades com determinadas garantias, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros Abbas Araghchi afirmou simultaneamente que o Irão estava preparado para pelo menos seis meses de guerra, segundo a CNN. Pequim tem mantido uma posição cuidadosa desde o início do conflito, apelando ao cessar-fogo mas apontando claramente para Washington como responsável pelo desfecho. O enviado especial da China para o Médio Oriente, Zhai Jun, afirmou na semana passada que “quem atou o nó deve ser quem o desata”, numa referência directa aos Estados Unidos e a Israel, de acordo com a CNN.
Dúvidas sobre compromissos concretos
Tong Zhao, investigador sénior da Carnegie Endowment for International Peace, disse à CNN que a China tem todos os incentivos para exibir a sua capacidade de mediação diplomática, procurando contrastar com o papel dos Estados Unidos no conflito, mas que “o que Pequim está realmente disposto a contribuir materialmente é outra questão”. A China dificilmente aceitaria qualquer papel de garante que exigisse contribuições militares ou a monitorização de violações de cessar-fogo, acrescentou o mesmo analista, citado pela CNN.
O coronel reformado Zhou Bo, investigador sénior do Centro de Segurança Internacional e Estratégia da Universidade de Tsinghua em Pequim, considerou que nenhuma das partes estaria receptiva a conselhos externos nesta fase, e que a China poderá acabar por ceder o papel mediador ao Paquistão, segundo a CNN. As perspectivas diplomáticas de Pequim são também moldadas pela visita prevista de Trump à China em Maio, que ambos os lados têm interesse em não comprometer com as tensões do conflito no Golfo.
A China mediou em 2023 a reaproximação entre o Irão e a Arábia Saudita, facto que os analistas citados pela CNN apontam como precedente relevante, ainda que o actual conflito apresente complexidades muito superiores.




