Governo anuncia oferta para adquirir participação minoritária na De Beers

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Governo sublinha que a proposta não visa o controlo da De Beers, mas sim a criação de um consórcio pan-africano liderado pela indústria, que assegure a independência e a competitividade internacional da empresa. De Beers é uma das maiores diamantíferas do mundo, e actualmente é detida em 85% pela Anglo American e em 15% pelo Governo do Botsuana.

Angola, por intermédio da Endiama, apresentou, na terça-feira, 23, uma oferta totalmente financiada com vista à aquisição de uma participação minoritária estratégica na De Beers, no âmbito do processo de desinvestimento global da Anglo American, accionista principal da multinacional diamantífera.

A informação foi confirmada pelo ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (Mirempet), em comunicado, apontando que a iniciativa insere-se no processo de alienação global promovido pela Anglo American plc, cuja conclusão está prevista para o final do corrente ano.

Entretanto, o Governo sublinha que a proposta não visa o controlo da De Beers, mas sim a criação de um consórcio pan-africano liderado pela indústria, que assegure a independência e a competitividade internacional da empresa. “Angola acredita que o futuro da De Beers depende da sua continuidade como uma empresa global liderada pelo sector privado”, afirmou o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Pedro Azevedo, citado no comunicado.

Segundo o ministro, a proposta visa estabelecer uma parceria significativa entre Angola, Botsuana, Namíbia e África do Sul, “garantindo que nenhuma parte detenha domínio exclusivo e que a empresa possa evoluir como uma entidade comercial verdadeiramente internacional”.

Assim, os elementos-chave da proposta angolana passam por um modelo de propriedade independente e diversificada, pela criação de uma parceria pan-africana, com convite formal ao Botsuana, Namíbia e África do Sul, pelo histórico de Angola como um dos maiores produtores mundiais de diamantes em 2024 e o único país a inaugurar uma mina de classe mundial nos últimos 15 anos, e pelo compromisso estratégico com o sector diamantífero como pilar da economia nacional.

Importa realçar que a De Beers anunciou em Agosto deste ano a descoberta de um novo campo de kimberlito, no leste de Angola, para a produção de diamantes, o primeiro novo campo descoberto por esta empresa sul-africana em mais de três décadas.
A De Beers abandonou Angola em 2012, depois de as autoridades terem suspendido todos os contratos de compra e venda de diamantes no âmbito de uma reestruturação do sector, que incluiu a criação da Sodiam, empresa a quem foi atribuído o monopólio da comercialização dos diamantes. Regressou dez anos depois e está confiante com essa nova fase de descobertas.

O regresso da De Beers a Angola permitiu a assinatura de uma parceria com a Endiama e dois contratos mútuos de investimento mineiro, para um período de 35 anos, com os primeiros cinco anos reservados para prospecção. A De Beers ficou com 90% do capital social de cada concessão, enquanto a Endiama tem 10%. A multinacional sul-africana vai investir 33,2 milhões USD na prospecção inicial de depósitos primários e secundários de diamantes nas concessões de Muconda (Lunda Sul) e Lumboma (Lunda Norte).

Fundada em 1888, a De Beers é uma das maiores empresas diamantíferas do mundo, actualmente é detida em 85% pela Anglo American e em 15% pelo Governo do Botsuana. O desinvestimento da Anglo American na De Beers foi anunciado em Maio de 2024, quando a empresa apresentou um plano de reestruturação estratégica, após ter sido alvo de uma proposta de aquisição hostil por parte da BHP. Como parte desse plano, a empresa confirmou que iria alienar a sua participação de 85% na De Beers, admitindo a possibilidade de venda directa ou de uma eventual entrada em bolsa (IPO), noticiou na altura a imprensa internacional.

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