Escândalos como Estratégia de Marketing. Onde Está o Erro?

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Por Msc. Lady Mukeba

Recentemente a internet explodiu com alguns casos polêmicos que associavam a reputação/imagem de famosos angolanos. Destes, destacam-se o caso de infidelidade do cantor Chetekela e o caso polêmico envolvendo a apresentadora de TV Neurite, o seu esposo Wilson Ganga e a influenciadora Nara Brunet. Em todos os casos, os autores das mesmas vieram a público após um certo período e disseram ser tudo “estratégia de Marketing”. Será que estamos mesmo diante de uma estratégia de Marketing?

Antes de responder, deixem-me dizer que estamos em um mundo cada vez mais saturado de informações e estímulos onde captar a atenção do público tornou-se um dos maiores desafios para as marcas e personalidades. Nessa busca incessante pelo destaque, algumas estratégias de marketing adoptam abordagens ousadas e, por vezes, controversas. Entre elas, o uso de escândalos para gerar publicidade tem sido uma tática observada em diversas esferas, inclusive entre figuras públicas angolanas. E mesmo assim, será que essa é de facto uma estratégia válida de marketing? E onde reside o erro na sua aplicação?

A verdade é que, de facto, estamos sim diante de uma estratégia de marketing, mas uma bastante controversa e arriscada, conhecida como “marketing de guerrilha” ou “marketing de choque”. O objectivo desse tipo de campanha é criar um grande burburinho em torno de uma marca, produto ou serviço, usando táticas que provocam forte reação do público. No entanto, há vários aspectos a considerar ao avaliar a eficácia e a coerência dessa abordagem.

o Escândalo enquanto estratégia é incompleta quando ele morre após o burburinho e não foca no produto/serviço a ser vendido/comunicado.

Escândalos como Estratégia: Uma Análise Crítica

Utilizar escândalos como estratégia de marketing não é algo novo. A ideia baseia-se no conceito de que “toda publicidade é boa publicidade”, presumindo que, enquanto a marca ou produto estiver sendo discutido, o objectivo foi alcançado. No entanto, essa abordagem simplista ignora os efeitos a longo prazo que a associação negativa pode ter sobre a imagem e a percepção da marca.

O Erro Fundamental: Falta de Coerência

O principal erro na utilização de escândalos como ferramenta de marketing reside na falta de coerência entre a natureza do escândalo e o produto ou serviço oferecido. Quando figuras públicas angolanas recorrem a escândalos que não têm relação direta com o produto a ser promovido, criam uma desconexão que pode confundir o público e diluir a mensagem principal. A eficácia de qualquer campanha de marketing depende de quão bem a estratégia comunica o valor e a essência do produto. Escândalos, especialmente aqueles de natureza pessoal ou controversa, raramente oferecem uma plataforma adequada para essa comunicação.

Pontos Positivos e Negativos dos escândalos como estratégia de marketing

#Positivos:

1. Visibilidade Imediata: Escândalos geram conversas, garantindo uma visibilidade instantânea em várias plataformas.

2. Engajamento do Público: O aspecto sensacionalista de um escândalo pode levar a um alto engajamento nas redes sociais, com debates e compartilhamentos.

#Negativos:

1. Dano à Reputação: A longo prazo, a associação com um escândalo pode prejudicar a reputação da marca, afetando a confiança e a lealdade dos consumidores.

2. Distração do Produto: O foco no escândalo pode desviar a atenção do produto ou serviço em si, reduzindo a eficácia da campanha.

3. Riscos de Rejeição: Há um alto risco de rejeição e backlash por parte do público, especialmente se o escândalo for percebido como de mau gosto ou inapropriado.

Conclusão e Recomendações

Embora a tentação de utilizar escândalos como atalho para a visibilidade seja compreensível, é fundamental reconhecer os riscos e as limitações dessa estratégia. A falta de coerência entre o escândalo e o produto pode resultar em uma campanha confusa que falha em comunicar o valor real da oferta. Em suma, todo o escândalo enquanto campanha de marketing é positivo se gerar debate, reflexão e interação a volta do que se pretende vender/comunicar. E não debate sobre o próprio escândalo!

#Recomendações:

1. Foco na Autenticidade: Estratégias de marketing devem se esforçar para autenticidade, criando campanhas que reflitam genuinamente os valores e a essência da marca.

2. Construção Positiva da Marca: Priorize estratégias que construam positivamente a imagem da marca, estabelecendo uma conexão emocional saudável com o público.

3. Alinhamento com o Público-Alvo: Certifique-se de que a campanha está alinhada com os valores e expectativas do público-alvo, evitando estratégias que possam alienar ou ofender.

Em última análise, o sucesso de uma estratégia de marketing reside em sua capacidade de comunicar efetivamente o valor de um produto ou serviço de uma maneira que ressoe positivamente com o público. Estratégias que dependem de escândalos para gerar atenção podem oferecer ganhos imediatos em visibilidade, mas os riscos associados e o potencial dano a longo prazo à imagem da marca sugerem que tais abordagens devem ser usadas com extrema cautela, se é que devem ser usadas.

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