Peso da China na dívida angolana cai de 19% para 17% no primeiro semestre

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A recomposição da carteira por domicílio do credor reflecte o recuo do financiamento bilateral chinês e o reforço do mercado interno e da dívida titulada internacional. O movimento acompanha a redução da dívida garantida por receitas petrolíferas, que baixou para 6,83 mil milhões de dólares em Junho.

O peso da China na dívida governamental caiu de 19% para 17% no primeiro semestre, período em que o stock total subiu 9,12%, para 72,04 mil milhões de dólares.

Classificada por domicílio do credor, a carteira mostra recuos idênticos noutras origens: os Estados Unidos passaram de 13% para 12% e Israel de 4% para 3%. Em sentido inverso, o mercado interno subiu de 28% para 29%, o Reino Unido de 22% para 25% e Portugal surgiu com 2%, uma posição que não figurava de forma destacada nos períodos anteriores.

Esta leitura exige uma ressalva. O domicílio do credor indica onde se encontra quem detém a dívida, e não necessariamente o Estado que a concede: o peso do Reino Unido e dos Estados Unidos reflecte sobretudo a dívida titulada — os Eurobonds — colocada e detida através dessas praças financeiras, ao passo que a fatia da China corresponde a empréstimos bilaterais. A recomposição traduz, assim, um deslocamento do financiamento bilateral, historicamente ancorado na China, para a dívida titulada internacional e para o mercado doméstico.

O recuo da China acompanha, em particular, a redução da dívida garantida por receitas petrolíferas, que baixou para 6,83 mil milhões de dólares em Junho, contra 7,37 mil milhões no final de 2025. É neste subconjunto de crédito bilateral, colateralizado por petróleo, que se concentra parte relevante da exposição ao parceiro chinês.

O stock repartiu-se, no final de Junho, entre 50,91 mil milhões de dólares de dívida externa e 21,14 mil milhões de dívida interna, contra 66,02 mil milhões no final de 2025. O crescimento decorre sobretudo das operações de captação e da antecipação de receita realizadas na primeira metade do ano, entre as quais as duas emissões de Eurobonds.

O aparecimento de Portugal, por seu turno, está associado ao aumento de desembolsos de uma linha de crédito destinada ao financiamento de projectos, com prazos longos e condições consideradas favoráveis pelo Executivo.

O Secretário de Estado das Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, reconheceu que a dívida externa continua a ter um peso significativo na carteira, ainda que a sua composição se venha a alterar. “Registou-se uma evolução gradual da sua composição, com o aumento da participação relativa da dívida interna.”

A dívida pode ser classificada de diferentes formas. Por domicílio do credor, ordena-se consoante o local onde se encontra quem detém o título ou o crédito — razão pela qual a dívida titulada emitida nos mercados internacionais aparece associada às praças financeiras onde é colocada, como Londres ou Nova Iorque, e não ao país que originou o financiamento. Distingue-se da classificação por natureza do credor (multilateral, bilateral, comercial ou fornecedores) e da divisão entre dívida interna e externa. A leitura conjunta destas ópticas permite acompanhar a estratégia de diversificação das fontes de financiamento do Estado.

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