Topack liga aplicação do decreto das sucatas à quebra no plástico enviado para reciclagem

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A Glopol, empresa do Grupo Topack, passou de uma média de cerca de 150 para menos de 100 toneladas de plástico recebidas por mês, segundo o presidente executivo do grupo, Ricardo Rocha. O gestor atribui a quebra à retenção, por agentes da autoridade, das carrinhas que transportavam plástico, depois da proibição da pesagem comercial de metais, um diploma que não abrange aquele material.

A Glopol, empresa do Grupo Topack que recicla plástico, passou a receber em média menos de 100 toneladas de plástico por mês, contra cerca de 150 toneladas mensais em 2025, segundo o presidente executivo do grupo, Ricardo Rocha.

Rocha falou na quarta-feira, 21 de Outubro, num painel da VI Conferência Ambiente e Desenvolvimento, organizada pela revista Economia & Mercado no hotel Epic Sana, em Luanda. Segundo o gestor, a quebra começou depois da publicação do decreto que encerrou as casas de pesagem de metais ferrosos e não ferrosos. Agentes da autoridade e algumas administrações locais passaram a considerar o plástico um material não ferroso, e os agentes passaram a reter as carrinhas que o transportavam até à empresa.

De acordo com Rocha, o grupo expôs o caso a quem legisla e foi emitida uma clarificação do diploma, mas o problema manteve-se. O gestor resumiu a situação dizendo que “a lei funcionou bem, seguiu o que realmente era necessário seguir, mas depois a aplicação da lei não aconteceu”.

Um decreto sobre metais

Rocha referiu-se ao “decreto dos ferrosos e não ferrosos”. O diploma que corresponde a essa descrição é o Decreto Executivo n.º 7/26, de 6 de Janeiro de 2026, assinado pelo ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira. O decreto interdita a actividade comercial de pesagem de metal ferroso e não ferroso e revoga as licenças associadas. Abrange casas de pesagem, sucateiros, intermediários, operadores de balanças, pontos de recolha e entrepostos, e exclui as unidades industriais licenciadas que usam metal como matéria-prima, desde que provem a origem legal do material.

O texto do diploma não faz referência ao plástico nem a outros materiais recicláveis. A fiscalização cabe à Inspecção das Actividades Económicas e Segurança Alimentar, em articulação com outros órgãos de inspecção e investigação.

O decreto justifica a medida com a protecção dos bens públicos contra a vandalização. Segundo o portal EcoAngola, em artigo de 18 de Janeiro de 2026, a destruição de torres de transporte de electricidade em Dezembro de 2025 deixou mais de 300 mil famílias sem energia em Benguela e no Cuanza Sul. A 24 de Janeiro, o semanário Expansão noticiou que o porta-voz do Serviço de Investigação Criminal (SIC), Manuel Halaiwa, reportara 295 detenções e que vários camiões com sucata destinada à indústria de Luanda tinham sido bloqueados.

Um modelo que depende de quem recolhe

A Glopol abastece-se de plástico usado entregue por catadores. Em Julho de 2023, a Forbes África Lusófona descrevia-a como uma empresa do Grupo Topack dedicada à produção e comercialização de artigos termoplásticos. Noticiava também um investimento de USD 7 milhões em equipamento de descontaminação, que permite produzir PET reciclado apto para contacto com alimentos. Segundo Rocha, isso permite fabricar novas garrafas a partir de garrafas usadas.

No painel, Rocha apresentou o grupo como “provavelmente” o maior produtor de plástico do país e a Glopol como a maior recicladora de plástico. Afirmou ainda que é a única empresa com PET reciclado aprovado para uso alimentar. A Outside não verificou estas afirmações de forma independente.

No mesmo painel, o ambientalista Vladimir Russo, director executivo da Fundação Kissama, afirmou que Angola tem, em alguns casos, leis muito avançadas. Acrescentou que há uma dificuldade de recursos humanos com experiência para as aplicar, em todo o país e não apenas em Luanda.

Rocha retomou o argumento para defender que não basta legislar, sendo preciso garantir que a lei é cumprida por quem a aplica no terreno. Afirmou que o sector privado está a investir na economia circular, da garrafa usada à garrafa nova, mas precisa de apoio.

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