O hipermercado do Luanda Shopping volta a abrir a 22 de Outubro, cinco anos depois de ter sido encerrado. A Anseba, que explora a rede Kero desde 2022 ao abrigo de um contrato com o Estado, prevê criar mais de 500 empregos directos e indirectos.
O hipermercado Kero do Gika, no Luanda Shopping, reabre na quinta-feira, 22 de Outubro, depois de um investimento superior a 4 milhões de dólares, segundo a empresa. A Anseba, actual operadora da rede Kero, estima que a nova operação crie mais de 500 postos de trabalho directos e indirectos.
A reabertura resulta de um acordo entre a Anseba e a Shopping Gest. A loja tem 7.000 metros quadrados, 30 caixas de pagamento e mais de 20 mil referências de produtos, segundo o comunicado divulgado a 20 de Outubro.
Paulo Silva, identificado no comunicado como director-geral do Kero, associou o regresso ao peso da loja na memória dos consumidores da capital. “O Gika faz parte da história de Luanda e da vida de muitas famílias”, afirmou.
Cinco anos fechado
O Kero Gika foi encerrado em Agosto de 2021 pelo Grupo Zahara, segundo a Ver Angola. O fecho coincidiu com a passagem da rede para um novo modelo de gestão. Em Julho desse ano, o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) lançou o concurso para a exploração dos hipermercados Kero.
A Anseba venceu o concurso e assinou, em Janeiro de 2022, um contrato de exploração e gestão por dez anos, sem opção de compra. O contrato abrangia 12 lojas, oito em Luanda e quatro nas províncias de Benguela, Huíla e Huambo. Previa um pagamento fixo de 1.452 milhões de kwanzas por ano ao Estado, mais 3% das receitas anuais, segundo a Forbes África Lusófona. O Gika já estava encerrado quando o contrato foi assinado.
O comunicado não esclarece se a loja reaberta passa a integrar esse contrato ou se é explorada apenas ao abrigo do acordo com a Shopping Gest.
Da remodelação à expansão
A reabertura marca uma mudança face à posição assumida há cerca de dois anos. Em Novembro de 2024, Hugo Moutinho, então apresentado como director-geral da Accord, empresa do grupo Anseba que gere a rede, falou ao Expansão. Disse que o grupo não tinha planos de expansão, apesar dos pedidos para abrir um Kero no centro da cidade. A prioridade era remodelar as lojas existentes. Em Março de 2025, a gestão estimava gastar cerca de 830 milhões de kwanzas nesse ano na remodelação das 12 lojas, segundo a Forbes África Lusófona.
Segundo a empresa, o Gika corresponde ao novo modelo de loja da rede. A recuperação incluiu a renovação de equipamentos, a modernização tecnológica e o reforço das secções de frescos. A loja tem ainda uma área de restauração de 400 metros quadrados, com mais de 200 lugares sentados.
A rede afirma que mais de 80% dos seus fornecedores são nacionais, num total de mais de 400 empresas, e que compra em Angola a totalidade das frutas e legumes que vende. Em Março de 2025, a empresa indicava à Forbes África Lusófona uma origem nacional de 95% nessa categoria. Ambos os valores são declarados pela empresa.





