Organização pede preservação da navegação numa das principais rotas energéticas mundiais
Países africanos importadores enfrentaram aumento dos custos da energia, fertilizantes e alimentos durante a crise
A União Africana (UA) transmitiu ao Irão a preocupação dos Estados-membros com os efeitos económicos provocados pelo encerramento do Estreito de Ormuz, sublinhando que a interrupção da navegação naquela rota teve consequências significativas para várias economias africanas.
A posição foi apresentada durante contactos diplomáticos entre representantes da organização continental e autoridades iranianas, numa altura em que Washington e Teerão procuram consolidar um acordo de paz que permita a reabertura permanente da passagem marítima e o regresso à normalidade nos mercados energéticos.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas estratégicas mais importantes do mundo, servindo de corredor para uma parcela significativa do comércio global de petróleo e gás natural. A crise iniciada após a escalada militar entre os Estados Unidos, Israel e o Irão provocou uma forte redução do tráfego marítimo e uma subida acentuada dos preços da energia nos mercados internacionais.
Segundo a União Africana, os efeitos foram particularmente sentidos pelos países africanos dependentes da importação de combustíveis, fertilizantes e produtos alimentares. O aumento dos custos de transporte e dos preços da energia agravou as pressões inflacionistas em várias economias do continente, afectando famílias, empresas e governos.
A organização destacou ainda que muitas cadeias logísticas africanas foram afectadas pelos desvios de rotas marítimas e pelos custos acrescidos de seguros e transporte durante o período de maior instabilidade. Países da África Oriental foram apontados entre os mais vulneráveis, devido à forte dependência daquela rota para o abastecimento de energia e matérias-primas.
Apesar dos impactos negativos para os países importadores, a valorização do petróleo beneficiou temporariamente alguns produtores africanos de crude, incluindo Angola e Nigéria, através do aumento das receitas de exportação. Contudo, economistas citados por vários meios de comunicação consideram que os benefícios de curto prazo foram inferiores aos riscos associados à instabilidade prolongada dos mercados internacionais.
A União Africana defendeu que a estabilidade do Estreito de Ormuz é fundamental para a segurança económica global e para o desenvolvimento africano, apelando à resolução diplomática das tensões no Médio Oriente. A organização considera que a reabertura da rota poderá contribuir para reduzir os preços da energia, aliviar os custos de importação e melhorar as perspectivas de crescimento de diversas economias africanas.




