EUA e Irão chegam a acordo preliminar para terminar guerra, assinatura prevista para sexta-feira na Suíça

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Memorando de entendimento prevê reabertura do Estreito de Ormuz e libertação de vinte e cinco mil milhões de dólares em activos iranianos congelados, mas deixa programa nuclear de Teerão para negociações futuras

Preços do petróleo caem após anúncio, com Brent a recuar 4 por cento, enquanto Líbano permanece como ponto de fricção entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irão

Os Estados Unidos e o Irão alcançaram um acordo preliminar para terminar a guerra entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz, um pacto que fez cair os preços do petróleo mas que deixa o destino do programa nuclear iraniano para negociações posteriores.

Segundo reportagem da agência Reuters assinada por Parisa Hafezi, Phil Stewart e Yomna Ehab, publicada a 15 de Junho de 2026, embora ainda se trate de um quadro preliminar, o acordo representa o maior avanço na resolução do conflito que já matou milhares de pessoas e perturbou os mercados de energia desde que começou, em Fevereiro, com ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o acordo na sua plataforma Truth Social. Segundo a Reuters, Trump escreveu, por volta das 17 horas e 30 minutos em Washington (21 horas e 30 minutos GMT) de domingo, que “o acordo com a República Islâmica do Irão está agora completo”.

A publicação de Trump surgiu pouco depois de o Primeiro-Ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo país tem actuado como mediador, ter anunciado que um acordo tinha sido alcançado. Segundo a Reuters, Sharif escreveu na rede social X que o pacto previa “a terminação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano”. A assinatura formal do memorando de entendimento está agendada para sexta-feira na Suíça, mas os termos precisos do acordo não eram imediatamente conhecidos, segundo a Reuters.

Líbano continua a ser ponto de fricção

Segundo a Reuters, o Líbano sofreu o mais mortífero efeito de propagação do conflito, com milhares de pessoas mortas e cerca de 1,2 milhões de pessoas deslocadas devido a uma ofensiva israelita contra o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irão, que abriu fogo contra Israel em apoio a Teerão a 2 de Março.

O país tem sido um obstáculo nas negociações. Segundo a Reuters, Israel e o Hezbollah têm ignorado apelos de Trump e de outros para cessarem os ataques mútuos nas últimas semanas. O secretariado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão afirmou que a guerra e as operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano, terminariam permanentemente a partir da noite de segunda-feira.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, defendeu que deve haver uma paragem completa dos ataques israelitas contra o Líbano e escreveu na plataforma Telegram que os Estados Unidos são responsáveis pela implementação do acordo-quadro. Nabih Berri, presidente do parlamento libanês e aliado do Hezbollah, afirmou que o acordo lançou as bases para a segurança e a estabilidade na região, incluindo no Líbano.

O Ministro da Defesa israelita, Israel Katz, declarou que Israel se oporia a qualquer pressão para retirar as suas forças de áreas que ocupa no sul do Líbano, afirmando que “esta é a principal lição dos acontecimentos de 7 de Outubro”.

Katz acrescentou que o Primeiro-Ministro Netanyahu deixou isto claro ao Presidente Trump e a outros responsáveis norte-americanos de alto nível, e que o próprio ministro também o clarificou, no dia anterior, ao Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth.

Reabertura do Estreito de Ormuz e queda do petróleo

O vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, afirmou que um acordo mais amplo sobre o conflito global seria negociado durante um período de cessar-fogo de 60 dias, incluindo alívio de sanções para o Irão. O destino do programa nuclear iraniano, outra questão delicada, será também abordado nessas negociações posteriores, segundo fontes que falaram anteriormente à Reuters.

Trump afirmou que o Estreito de Ormuz, importante rota de transporte marítimo para o fornecimento global de petróleo e gás que o Irão tem mantido efectivamente fechado durante meses, seria reaberto na sexta-feira, e que tinha ordenado o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos. Segundo a Reuters, Trump escreveu que “os navios do mundo” deveriam “ligar os motores” e deixar “o petróleo fluir”, e os preços do petróleo caíram com a notícia, com os futuros do Brent a recuar 4 por cento nas negociações da manhã de segunda-feira, enquanto os mercados accionistas subiram.

Contexto político interno nos Estados Unidos

Segundo a Reuters, a guerra tornou-se um problema político interno para Trump e para os seus colegas republicanos no Congresso, com sondagens de opinião pública a mostrar que os norte-americanos estão profundamente frustrados com a subida dos preços da gasolina antes das eleições intercalares de Novembro. Ao mesmo tempo, Trump enfrentou pressão de membros do seu próprio partido que insistem que o programa nuclear do Irão deve ser completamente desmantelado.

Durante o seu primeiro mandato, Trump retirou os Estados Unidos de um acordo multilateral de 2015 com o Irão, negociado pelo Presidente democrata Barack Obama, que levantava sanções a Teerão em troca de limites ao seu programa nuclear e inspecções internacionais, ao que o Irão respondeu aumentando o enriquecimento de urânio, produzindo mais de 400 quilogramas de material próximo da pureza necessária para armas nucleares.

Activos congelados e programa nuclear

O acordo foi alcançado apesar de um ataque israelita ao Líbano no domingo, que gerou críticas tanto do Irão como de Trump. Segundo a Reuters, Netanyahu tem ignorado exigências norte-americanas para que Israel contenha a sua acção militar no Líbano de modo a permitir que os Estados Unidos alcancem um acordo com o Irão, afirmando que manterá liberdade de operação naquele território, enquanto o Irão tornou um cessar-fogo total no Líbano num componente importante das suas exigências.

Líderes fora do Médio Oriente acolheram o anúncio com agrado. Em comunicado conjunto, o Reino Unido, a Alemanha, a França e a Itália afirmaram estar preparados para levantar sanções ao Irão em resposta a “passos claros e verificáveis” para limitar o seu programa nuclear, e a China também acolheu o acordo com agrado.

Antes do anúncio do acordo, um responsável iraniano sénior disse à Reuters que, segundo os termos do rascunho, os Estados Unidos concordariam em libertar vinte e cinco mil milhões de dólares de activos iranianos congelados.

Um responsável norte-americano, também a falar antes do anúncio, afirmou que o acordo levaria, em última análise, ao desmantelamento do programa nuclear do Irão, com o seu stock de urânio altamente enriquecido a ser destruído e removido. Já o responsável iraniano sénior disse que o rascunho do acordo permitiria ao Irão, que nega procurar uma arma nuclear, diluir o urânio enriquecido dentro do próprio país.

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