Teerão diz ter respondido aos mais recentes bombardeamentos norte-americanos com ataques a bases militares na região
Nova escalada agrava crise no Médio Oriente e aumenta incerteza em torno do cessar-fogo e da navegação no Estreito de Ormuz
O Irão afirmou ter lançado ataques contra alvos militares dos Estados Unidos em vários países do Golfo, numa resposta aos mais recentes bombardeamentos norte-americanos sobre território iraniano. A ofensiva coincidiu com o funeral do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, realizado na cidade de Mashhad, num dos momentos de maior tensão desde o recomeço das hostilidades.
Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, os ataques recorreram a mísseis e drones e visaram infra-estruturas militares norte-americanas no Kuwait, Qatar, Bahrein e Jordânia, incluindo sistemas de defesa aérea Patriot, depósitos de combustível e centros de comando. As autoridades jordanas afirmaram ter intercetado vários mísseis dirigidos ao seu território, enquanto outros países da região activaram os respectivos sistemas de defesa aérea.
A nova vaga de confrontos surgiu após os Estados Unidos terem realizado ataques aéreos contra posições militares iranianas, alegando responder a incidentes recentes envolvendo navios comerciais no Estreito de Ormuz. Washington considera que Teerão continua a representar uma ameaça à liberdade de navegação numa das principais rotas energéticas mundiais, enquanto o Governo iraniano acusa os Estados Unidos de violarem o entendimento de cessar-fogo alcançado anteriormente.
Durante as cerimónias fúnebres de Khamenei, milhares de pessoas participaram nas homenagens ao antigo líder supremo, morto num ataque aéreo norte-americano durante o conflito iniciado no início do ano. O ambiente foi marcado por manifestações antiamericanas e por apelos à continuação da resistência contra os Estados Unidos e Israel.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o entendimento de cessar-fogo deixou de produzir efeitos e advertiu que Washington responderá com novas operações militares caso o Irão prossiga os ataques contra interesses norte-americanos ou contra a navegação internacional. Apesar disso, declarou não esperar um conflito prolongado.
Entretanto, mediadores regionais, entre os quais Qatar, Omã e Turquia, continuam a tentar restabelecer o diálogo entre as duas partes. A deterioração da situação aumenta os receios de uma nova interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, corredor por onde transita uma parte significativa das exportações mundiais de petróleo, com potenciais consequências para os mercados internacionais de energia.




