Espanha diz que Trump moderou discurso após conhecer contributo de Madrid para a NATO

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Governo espanhol afirma que esclarecimentos sobre despesas militares reduziram tensão com Washington
País mantém posição de não atingir meta de 5% do PIB para Defesa proposta pela Aliança Atlântica

O Governo espanhol afirmou que o Presidente norte-americano, Donald Trump, moderou o tom das críticas dirigidas a Espanha depois de receber informações detalhadas sobre o contributo de Madrid para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). Segundo as autoridades espanholas, o esclarecimento permitiu dissipar algumas percepções erradas sobre o esforço do país no âmbito da Aliança.

A ministra da Defesa de Espanha, Margarita Robles, explicou que Trump foi informado sobre as capacidades militares disponibilizadas por Madrid, incluindo a participação em missões internacionais, a presença de forças armadas espanholas em operações da NATO e o acolhimento de importantes infra-estruturas militares norte-americanas em território espanhol.

Entre essas infra-estruturas destaca-se a Base Naval de Rota, no sul de Espanha, considerada um dos principais centros de operações da Marinha dos Estados Unidos na Europa e um elemento estratégico para as operações da NATO no Mediterrâneo e no Atlântico.

Segundo o Governo espanhol, após tomar conhecimento desses contributos, Trump adoptou uma posição menos crítica em relação ao papel de Espanha na Aliança. Ainda assim, Washington continua a defender que todos os aliados aumentem significativamente os seus gastos com defesa.

A questão ganhou destaque durante a mais recente cimeira da NATO, onde os Estados-membros acordaram o objectivo de elevar o investimento em defesa para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2035. Espanha foi um dos poucos países a manifestar reservas quanto a essa meta, argumentando que um nível inferior de despesa poderá ser suficiente para cumprir os compromissos assumidos pela Aliança.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reiterou que o país continuará a reforçar as suas capacidades militares, mas sem comprometer a sustentabilidade das finanças públicas ou reduzir o investimento em áreas como saúde, educação e protecção social. O Executivo considera que a eficácia militar deve ser medida pelas capacidades disponibilizadas e não apenas pela percentagem do PIB destinada à defesa.

O episódio evidencia as divergências persistentes entre Washington e alguns aliados europeus sobre o financiamento da NATO. Embora as críticas de Trump tenham perdido intensidade, o debate sobre o aumento dos gastos militares deverá continuar a marcar a agenda da Aliança nos próximos anos, num contexto de crescente instabilidade internacional e de reforço das capacidades de defesa dos países europeus.

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